
O câncer de mama deve continuar como o tumor mais comum entre mulheres no mundo nas próximas décadas. Uma nova análise publicada na revista The Lancet Oncologyprojeta que os casos anuais da doença podem passar de 2,3 milhões em 2023 para mais de 3,5 milhões até 2050.
Apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento, os pesquisadores apontam que o aumento tende a ser mais acelerado em países de baixa e média renda, onde o acesso a exames, diagnóstico precoce e tratamento adequado ainda é limitado.
“A doença continua a ter um impacto profundo na vida das mulheres e nas comunidades”, afirma a autora principal do estudo e pesquisadora do Instituto de Métricas e Avaliação da Saúde da Universidade de Washington, Kayleigh Bhangdia, em comunicado.
Desigualdade entre países ricos e pobres
O estudo mostra que as taxas de novos casos seguem altas em países ricos, mas o crescimento mais rápido ocorre nas nações de baixa renda. Desde 1990, a incidência padronizada por idade aumentou em média 147% nesses países, enquanto se manteve estável nos de alta renda.
A diferença também aparece nas taxas de mortalidade. Entre 1990 e 2023, os países ricos reduziram em média 30% as mortes por câncer de mama quando ajustadas por idade. Já nos países de baixa renda, essas taxas praticamente dobraram no mesmo período.
Segundo a médica e epidemiologista Olayinka Ilesanmi, que participou da pesquisa, muitos desses países contam com sistemas de saúde menos estruturados, falta de equipamentos de radioterapia e dificuldade de acesso a medicamentos essenciais.
“O aumento da incidência ocorre ao mesmo tempo em que os serviços de saúde não estão plenamente preparados para responder à demanda”, explica.
A análise também revelou que mulheres de países de baixa e média baixa renda representam pouco mais de um quarto dos novos casos globais, mas concentram quase metade dos anos de vida saudável perdidos por causa da doença.
Fatores de risco e prevenção
Os pesquisadores estimam que 28% da carga global do câncer de mama esteja associada a seis fatores de risco que podem ser modificados. O alto consumo de carne vermelha aparece como o principal deles, seguido pelo tabagismo, níveis elevados de açúcar no sangue, excesso de peso, consumo de álcool e baixa prática de atividade física.
Eles defendem políticas públicas que incentivem hábitos saudáveis e ampliem o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento de qualidade. Mesmo com avanços na prevenção, eles ressaltam que milhões de mulheres continuarão a desenvolver a doença, o que torna urgente reduzir as desigualdades no acesso aos cuidados.
Além das projeções até 2050, o estudo também aponta aumento nos casos entre mulheres mais jovens, especialmente na faixa de 20 a 54 anos, o que reforça a necessidade de estratégias de prevenção e acompanhamento ao longo de toda a vida adulta.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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