Desenho de orixá: PM arquiva investigação sobre ação armada em escola

Material obtido pelo Metrópoles
Vídeo mostra PM com metralhadora em escola após criança desenhar orixá - Metrópoles

O 16º Batalhão da Polícia Militar de São Paulo arquivou a investigação contra dois agentes envolvidos em uma ação polêmica na Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Antônio Bento, em novembro do ano passado.

O caso, revelado pelo Metrópoles, começou após um soldado da PM descobrir que a filha dele, de 4 anos, tinha desenhado uma orixá durante uma atividade escolar. O homem arrancou o desenho da criança do mural do colégio, reclamou com a diretora e, no dia seguinte, chamou a polícia.

Pessoas que estavam no colégio no momento em que os PMs chegaram na unidade contaram à reportagem que quatro agentes entraram armados na escola. Um deles estava com uma arma de grosso calibre. Segundo essas testemunhas, a abordagem foi considerada hostil e assustou crianças que estavam no local. O pai da menina que fez o desenho ficou do lado de fora da unidade durante a ação.

Ao apurar o caso, no entanto, o 16° Batalhão da Polícia Militar, de onde eram os agentes que atenderam a ocorrência, entendeu que não houve transgressão nem por parte do pai que acionou à PM, nem do agente que liderou a ação na escola — e que era do 12º Batalhão da Polícia Militar.

Na análise feita pela corporação a partir dos relatos dos agentes e dos registros das câmeras corporais, os PMs que atenderam a ocorrência foram imparciais.

A conclusão diverge da cena narrada no depoimento da diretora da escola à Polícia Civil. Segundo ela, um dos PMs teria dito que a atividade escolar configurava “ensino religioso” e que a criança estava sendo obrigada a ter acesso ao conteúdo de uma religião que não é a da família dela. A diretora abriu um boletim de ocorrência por ameaça contra o pai da aluna e por abuso de autoridade contra o tenente que liderou a ação na escola.

No procedimento para averiguar a necessidade de abrir ou não um Inquérito Policial Militar (IPM), o capitão Anderson Santana Silva, do 16º Batalhão, defendeu ambos.

Ao responder à acusação de que os agentes entraram com armamento de grosso calibre na escola, ele disse que os agentes devem andar com as armas ao atender ocorrências para, inclusive, “evitar o extravio do armamento”.

“Ressalta-se que o porte da arma nos termos regulamentares denota postura de segurança e não de ameaça ou intimidação. Portanto, a presença do armamento portátil durante a averiguação na unidade escolar configurou estrito cumprimento do dever legal e observância às normas de segurança institucional, inexistindo qualquer abuso ou irregularidade na conduta do militar”, afirmou.

O capitão alegou, ainda, que as conversas registradas nas câmeras corporais mostram que os agentes teriam dito para a diretora que a atuação deles seria restrita à “aplicação da lei”.

O relatório inclui no anexo alguns trechos de descrição das imagens obtidas nas câmeras corporais, mas não a transcrição completa.

Em outro momento, o capitão defende a postura do pai em acionar a PM para o caso. “Independente do mérito pedagógico — seara que foge à competência militar –, a manifestação de descontentamento do pai, feita sem violência ou grave ameaça e fundamentada em sua interpretação da lei, constitui exercício regular de direito de petição e liberdade de expressão, não configurando ilícito penal”, afirma.

O arquivamento da investigação foi anexado a um procedimento do Ministério Público de São Paulo (MPSP), que também apura o caso, após ser acionado pelos parlamentares do PSol — a deputada federal Luciana Cavalcante, o deputado estadual Carlos Giannazi e o vereador Celso Giannazi. O MPSP ainda não decidiu se irá instaurar inquérito para o caso.


Relembre o caso


 

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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