
O deputado Nikolas Ferreira, que se vende como o paladino da verdade, reagiu com um cinismo fantástico às revelações de que voou no jatinho de Daniel Vorcaro, o dono do agora extinto e escandaloso Banco Master.
Diante de provas – fotos e registros de voo -, Nikolas não explicou o inexplicável. Preferiu, obviamente, sacar do bolso a velha tática bolsonarista: se você não tem como se defender, ataque o vizinho.
No vídeo em que tenta se justificar, o deputado ignora a pergunta central e desata a apontar o dedo para aqueles que considera inimigos. É uma manobra rasteira de transferência de culpa.
O que está em questão não é o governo federal ou o STF, mas o fato de uma “promessa da política” ter cruzado o Nordeste em 2022 num avião pago por um banqueiro que, hoje, usa tornozeleira eletrônica.
Nikolas alega uma ingenuidade que não lhe cabe. Diz que “não sabia” de quem era a aeronave, como se um homem público pudesse entrar em jatinhos particulares como quem pega um ônibus de linha.
Em Brasília, todos sabiam que o Master era um castelo de cartas. Ao se dizer enganado, ele assina um atestado de irresponsabilidade ou, o que mais leva a crer, de má-fé.
A reação do deputado revela o medo.
Nikolas sabe que a ligação entre o Banco Master, a Igreja da Lagoinha e o financiamento da campanha de Bolsonaro é um fio que, se puxado até o fim, draga muita gente. Ao gritar “e o PT?”, ele apenas tenta abafar o barulho das turbinas de um escândalo que se recusa a pousar.
Para quem prega a moralidade no púlpito, o jatinho da corrupção é um peso difícil de carregar.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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