Chefes do BC faziam jogo duplo para Vorcaro, diz PF. Entenda

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Empresario Daniel Vorcaro

Mensagens interceptadas pela Polícia Federal (PF) apontam como o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, conseguiu se entranhar no Banco Central (BC). O banqueiro dispunha dos servidores de carreira Belline Santana e Paulo Sérgio Souza, à época em cargos de chefia, que o muniam de informações internas e prestavam consultoria – uma espécie de jogo duplo.

As informações constam em decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator da investigação sobre o Banco Master na Corte. A corporação prendeu Vorcaro e o cunhado, Fabiano Zettel, nesta quarta-feira (4/3), por ordem dele.

A PF descobriu que a ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Dusep) do BC Belline Santana debatia informações ligadas à situação regulatória do Banco Master. Também participou de negociacões para definir estratégias da instituição perante a autoridade monetária.

A servidora de carreira se encontrava com Vorcaro dentro e fora das dependências do BC. Registros de entrada obtidos pela coluna mostram que a última vez que o banqueiro pisou na sede, em Brasília, foi para visitar o gabinete dela, em 1º de outubro, um mês e meio antes de ser preso pela primeira vez.

“Nessa condição, [Belline Santana] manteve interlocução direta e frequente com DANIEL BUENO VORCARO, controlador do Banco Master, passando a atuar de modo informal e reiterado em favor dos interesses da instituição financeira submetida à supervisão da autarquia reguladora”, escreveu Mendonça.

A atuação de Belline Santana lhe rendeu propina e uma proposta de contratação simulada da Varajo Consultoria Empresarial Sociedade Unipessoal Ltda. para prestar “serviços informais” a Vorcaro. Conforme as mensagens, o dono do Banco Master não quis deixar a própria digital no pagamento e pediu para o administrador da empresa, Leonardo Augusto Furtado Palhares, fazê-lo mediante reembolso.

Subordinado à Belline Santana, o ex-chefe-adjunto no Desup Paulo Sérgio Souza representava outro elo de Vorcaro com o BC. Parte do “trabalho informal” dele incluía revisar minutas de documentos e comunicações institucionais do Banco Master para o BC – atuação considerada “incompatível com as atribuições de fiscalização exercidas pelo próprio servidor público”.

“Os elementos informativos reunidos indicam que PAULO SÉRGIO prestava consultoria informal e contínua ao referido investigado, fornecendo orientações estratégicas sobre a atuação do Banco Central em processos administrativos envolvendo o Banco Master, inclusive sugerindo abordagens e argumentos a serem utilizados em reuniões com dirigentes da autarquia reguladora. Em diversas ocasiões, o investigado encaminhou ao banqueiro recomendações específicas acerca de temas que poderiam ser levantados por autoridades do Banco Central em reuniões institucionais, orientando previamente as respostas e estratégias a serem adotadas”, descreveu Mendonça.

Segundo a PF, Vorcaro tinha um grupo de mensagens com Belline Santana e Paulo Sérgio Souza. Além de outras vantagens indevidas, o banqueiro teria oferecido ao servidor guias em viagem à Disney.

O que diz a defesa de Daniel Vorcaro

Leia a íntegra da nota:

“A defesa de Daniel Vorcaro informa que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça.

A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta.

Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições.”

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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