Keeta, empresa chinesa concorrente do Ifood, realiza demissão em massa

Divulgação/Keeta
Empresa realizou demissão em massa

A plataforma de delivery Keeta promoveu nesta quarta-feira (4/3) uma demissão em massa no Rio de Janeiro, dias após suspender o lançamento do aplicativo na capital fluminense. Segundo relatos de funcionários, mais de 200 pessoas foram desligadas da operação local.

A decisão ocorre no mesmo dia em que a S&P Global Ratings rebaixou a nota de crédito da controladora da empresa, a chinesa Meituan, citando pressões competitivas no mercado doméstico e um cenário que pode limitar o ritmo de expansão internacional do grupo.

Os desligamentos atingiram principalmente equipes que haviam sido contratadas para estruturar a operação no Rio, onde o início das atividades estava previsto para o fim de fevereiro.

Uma funcionária disse ao Metrópoles, sob condição de anonimato, que o anúncio das demissões foi um “momento extremamente difícil”.

“Um dia como esse jamais será esquecido. Fomos descartados de uma forma desumana, colocados em uma sala com pessoas armadas e demitidos como se fôssemos apenas números. Foram 8 meses de dedicação intensa, a ponto de muitas vezes deixarmos nossa família e nossa própria vida em segundo plano para viver a empresa. Por ser uma cultura chinesa, havia uma exigência constante e excessiva”, disse.

De acordo com a colaboradora, os funcionários brasileiros sofriam humilhações diárias por parte de gestores que estavam sob pressão de “eles ou nós”.

“Uma pressão psicológica enorme. Ouvíamos constantemente do gestor da Arábia Saudita que deveríamos “valorizar nossos empregos”, chegando a perguntar se estávamos mortos. Foram tantas situações difíceis que eu poderia passar o dia inteiro relatando. Eu jamais esquecerei tudo o que fizeram comigo como pessoa e, principalmente, como profissional”, relatou.

O anúncio das demissões provocou reação imediata de parte dos colaboradores e momentos de tensão no local, segundo relatos de funcionários. Assista ao vídeo:

Entenda

A empresa já havia informado anteriormente que decidiu adiar a estreia para revisar estratégias e concentrar esforços na consolidação do serviço em outras praças, especialmente em São Paulo, onde já opera.

Em nota, a Keeta afirmou que a suspensão no Rio está relacionada à necessidade de “aprimorar padrões operacionais” e avaliar condições de mercado. A empresa também declarou que mantém seus planos de investimento no Brasil no médio prazo, embora o cronograma de expansão possa sofrer ajustes.

No relatório divulgado nesta quarta-feira, a S&P reduziu o rating da Meituan de A- para BBB+, mantendo a companhia em grau de investimento, mas com perspectiva negativa.

A agência apontou aumento da concorrência no setor de delivery na China, com intensificação de subsídios e pressão sobre margens, fatores que elevam o risco financeiro e reduzem a previsibilidade de geração de caixa.

A Meituan havia anunciado, no ano passado, a intenção de investir bilhões de reais no Brasil ao longo de cinco anos, como parte da estratégia de internacionalização da marca Keeta. A operação brasileira é vista como uma tentativa de disputar espaço em um mercado dominado por grandes plataformas já consolidadas, como o Ifood.

Leia a nota da Keeta na íntegra:

A Keeta decidiu adiar o lançamento no Rio de Janeiro para focar na melhoria dos padrões de serviço do mercado para consumidores, restaurantes e entregadores parceiros, o que inclui resolver questões estruturais que inibem a concorrência saudável no segmento de delivery brasileiro, antes de avançar com a expansão geográfica no país. Em razão disso, a empresa realizou desligamentos na equipe localizada no Rio.

A Keeta vai manter todos os seus 1,200 postos de trabalho existentes, focando no desenvolvimento das operações na região de São Paulo, e reafirma seu compromisso de longo prazo com o Brasil e o investimento de R$ 5,6 bilhões em 5 anos.

A empresa continuará trabalhando com parceiros locais, autoridades e restaurantes para defender um mercado de delivery aberto, competitivo e sustentável, promovendo um ambiente que estimule inovação, concorrência justa e crescimento, em benefício de consumidores, restaurantes e entregadores parceiros.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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