
A elevação do nível do mar relacionada ao aquecimento global pode ser maior do que os estudos anteriores previam. Segundo uma nova pesquisa, a maioria dos trabalhos iniciou seus cálculos a partir da base errada para medir a altura do mar nas áreas costeiras, subestimando em média cerca de 30 centímetros a variação.
De acordo com o coautor do estudo, Philip Minderhoud, a discrepância entre como as altitudes do mar e da terra são medidas é causa para o erro. Os cálculos errôneos foram identificados com mais frequência em áreas do Sul Global (onde fica o Brasil), do Pacífico e do Sudeste Asiático.
A descoberta foi liderada pela pesquisadora Katharina Seeger, da Universidade de Pádua, na Itália, em parceria com Minderhoud, professor da Universidade e Centro de Pesquisa de Wageningen, na Holanda. Os resultados foram publicados na revista Nature nessa quarta-feira (4/3).
Erro para calcular o nível do mar
Na hora de calcular a elevação, os especialistas costumam usar satélites para medir o nível do mar e modelos terrestres (representações teóricas da terra) para mensurar a altura da terra. Apesar de ambos cumprirem corretamente suas atribuições, na área costeira, onde o mar e a terra se encontram, os sistemas não conseguem considerar fatores importantes, como ondas, correntes marítimas, vento e fenômenos climáticos, e consideram a área como “zero metro”.
Em outras palavras, é como se os pesquisadores considerassem que a água dos oceanos sempre estivesse parada na costa, o que não ocorre na prática. Esse equívoco nos estudos anteriores foi denominado pelos cientistas atuais como “ponto cego metodológico”.
Caso o nível do mar suba cerca de um metro até o final do século, assim como alguns modelos climáticos preveem, a dupla afirma que, da maneira que a elevação está atualmente, as águas poderão inundar 37% mais área do que se estimava. Em números totais, entre 77 milhões e 132 milhões de pessoas correm o risco de serem afetadas.
“Nossos resultados destacam a necessidade de reavaliação das avaliações de impacto costeiro existentes e aprimoramento dos padrões da comunidade de pesquisa, com possíveis implicações para formuladores de políticas, financiamento climático e adaptação costeira”, concluem os autores no artigo.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

Deixe um comentário