
O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou em mensagens à namorada, Martha Graeff, que o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, comentou sobre um imóvel do casal em Miami.
No diálogo, datado de 12 de abril de 2024, Vorcaro relata à companheira: “Acredita que o presidente do Bacen já falou da nossa casa”. Em seguida, escreve apenas “Banco Central”.
Surpresa, Martha pergunta se ele se refere ao imóvel nos Estados Unidos. “Da casa de Miami? Como ele sabe?”, questionou. O banqueiro respondeu que o comentário teria ocorrido “lá dentro do Banco Central”, mas minimizou a situação. “Nada demais. Só te dizendo. Todo mundo fica sabendo tudo hoje”, escreveu.
Na sequência, Martha demonstra preocupação e pergunta se o fato poderia prejudicá-lo. Vorcaro responde: “Não. Zero. Agora virou irrelevante”.
Roberto Campos Neto foi indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro para comandar o Banco Central no período entre 2019 e janeiro de 2025.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT) apresentou uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar o eventual envolvimento do ex-presidente do Banco Central no caso do Banco Master.
Esquema com a cúpula do Banco Central
As mensagens integram um conjunto de elementos reunidos pela PF e mencionados em decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF), que apontam para um suposto esquema de corrupção e tráfico de influência dentro do Banco Central do Brasil durante a gestão de Campos Neto. Segundo as investigações, a atuação de servidores teria contribuído para evitar a falência do Banco Master.
Em despacho que determinou medidas contra os investigados Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana, o ministro André Mendonça, do STF, relata que diretores do Banco Central teriam prestado “consultoria informal” ao grupo de Vorcaro.
As investigações apontam que Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana revisavam documentos do Banco Master, sugeriam abordagens e argumentos a serem utilizados em reuniões com o Banco Central, forneciam informações estratégicas e atuavam como “interlocutores internos” dos interesses da instituição dentro da autarquia.
Paulo Sérgio Neves de Souza comandou a Diretoria de Fiscalização do Banco Central entre 2019 e 2023, período em que Vorcaro recebeu autorização para adquirir o Banco Máxima, posteriormente rebatizado como Banco Master. À época, o Banco Central era presidido por Campos Neto, indicado ao cargo pelo então presidente Jair Bolsonaro.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) informou nesta quarta-feira (4/3) que apresentou uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar o eventual envolvimento do ex-presidente do Banco Central no caso do Banco Master.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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