
A cozinheira que entrou com processo contra o jogador do Santos Neymar Jr afirmou à Justiça ter sofrido problemas na coluna e inflamações no quadril devido ao trabalho pesado na mansão do atleta. Segundo a ação, que tramita no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, a mulher trabalhava até 16 horas por dia e carregava materiais pesados. Isso acabou prejudicando a saúde da trabalhadora.
A mulher afirmou ao TRT do Rio de Janeiro que costumava cozinha para mais de 150 pessoas diariamente, em uma mansão do craque, em Mangaratiba, no Rio de Janeiro.
Segundo a cozinheira, o esforço físico para carregar carnes e outros utensílios pesados na casa do jogador da Seleção Brasileira teria provocado problemas na coluna e inflamação no quadril. Ela afirma ter realizado consultas e exames médicos para diagnosticar as lesões e pede que Neymar lhe pague pensão.
Embora tivesse salário registrado de cerca de R$ 4 mil, a cozinheira afirma à justiça trabalhista que recebia, em média, R$ 7,5 mil mensais com horas extras e adicionais. Segundo a ação, mesmo contratada para trabalhar apenas durante a semana, ela também teria desempenhado funções aos fins de semana, especialmente aos domingos.
Ação conjunta
Neymar é processado juntamente com uma empresa terceirizada, por meio da qual a cozinheira foi contratada para prestar serviços na residência do atleta.
De acordo com o documento, ao qual a coluna teve acesso, a cozinheira trabalhou de julho do ano passado a fevereiro deste ano na residência principal do jogador, chamada Casa Hotel Portobello, além do condomínio ao lado, o Condomínio Portobello.
O horário previsto em contrato era das 7h às 17h, de segunda a quinta-feira, e das 7h às 16h às sextas-feiras. Segundo o processo, porém, a jornada nunca era cumprida nesses moldes, e a trabalhadora ficava além do horário, chegando a atuar mais de 16 horas por dia, em média.
Jornada excessiva
A funcionária afirma que chegou a estender a jornada até as 23h e até a meia-noite em algumas ocasiões, preparando refeições para até 150 pessoas — do café da manhã ao jantar para o atleta e amigos de Neymar.
“Além da carga excessiva de trabalho, a reclamante sempre executou atividades que exigiam esforço físico intenso desde o início do contrato, carregando constantemente peças de carne com peso médio de 10 quilos, realizando controle de geladeiras, bem como carregando e descarregando compras do supermercado, com grande quantidade de sacolas pesadas, permanecendo longos períodos em pé durante toda a jornada”, dizem os advogados no documento encaminhado à Justiça.
“A reclamante não usufruiu regularmente do intervalo intrajornada. Durante todo o pacto laboral, a reclamante era obrigada pela reclamada a registrar o ponto relativo ao intervalo intrajornada, embora permanecesse em efetivo labor nesse período”, afirma a defesa da profissional na petição.
Nos termos do artigo 71 da CLT, é obrigatória a concessão de um intervalo para repouso ou alimentação de, no mínimo, uma hora para jornadas superiores a seis horas de trabalho.
Ao todo, a cozinheira pede que Neymar e a empresa terceirizada que a contratou para prestar serviços na mansão paguem R$ 262 mil, valor que inclui verbas rescisórias, FGTS e multa, pagamento de horas extras e intervalos, indenização por dano moral, além de despesas médicas e pensão.
Procurada, a assessoria de Neymar não quis se manifestar.
Mansão
Neymar é dono de duas mansões em Mangaratiba, sendo uma delas avaliada em R$ 28 milhões, com 5 mil metros quadrados, seis suítes, piscina, área de lazer e até um “puxadinho” com 10 suítes para acomodar os amigos. É nessa que a funcionária trabalhava.
A outra casa fica no condomínio Aero Rural e ficou conhecida por ter um lago artificial. O imóvel chegou a ser alvo de interdição pela Secretaria de Meio Ambiente de Mangaratiba. O atleta foi multado em R$ 16 milhões, mas conseguiu suspender o valor e acabou absolvido no caso.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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