
O dólar registrou queda de 0,75% frente ao real, cotado a R$ 5,24. Às 16h55, o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), operava em baixa de 0,46%, aos 179,6 pontos.
A guerra no Oriente Médio segue ditando o tom dos mercados globais de câmbio e ações. As atenções, na verdade, estão voltadas para a evolução dos preços do petróleo no mercado mundial. Em uma semana, ele registrou elevação de 29%.
Antes do conflito, iniciado no sábado (28/2), o barril do tipo Brent, a referência para o mercado mundial, oscilava em torno de US$ 73. Nesta sexta-feira, os contratos futuros para maio da commodity chegaram a US$ 93. A alta pode ter efeito devastador na economia, pressionando a inflação e, como consequência, adiando cortes de juros tanto no Brasil como nos Estados Unidos.
EUA e Europa
Nesse contexto, as principais bolsas europeias e americanas tiveram mais um dia de baixas intensas. O índice Stoxx 600, que reúne empresas de 17 países da Europa, caiu 1,02%. O DAX, de Frankfurt, recuou 0,94% e o FTSE 100, de Londres, 1,24%. Em Paris, a baixa foi menor: 0,65%.
Às 16h15, Nova York também estava no vermelho. As baixas eram generalizadas entre os grandes índices. Alcançava -1,03% no S&P 500; -0,99% no Dow Jones; e -1,00% no Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia.
Emprego em baixa
Não foi só o petróleo que influenciou os mercados no pregão. O principal relatório sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos, o payroll, indicou o fechamento de 92 mil vagas de emprego em fevereiro. Essa foi a maior queda mensal do indicador desde outubro de 2025. O número ficou abaixo das previsões dos analistas, que apontavam para a criação (e não o corte) de 59 mil postos.
Os dados divulgados sobre janeiro foram revisados para baixo. O total de vagas abertas foi de 126 mil, ante 130 mil notificadas anteriormente. Ou seja, as informações, veiculadas pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho, mostraram um mercado fraco.
Como agravante, o presidente da distrital do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de Chicago, Austan Goolsbee, classificou o relatório como uma “grande decepção”. Ele espera que a inflação caminhe para a meta de 2%, permitindo a retomada dos cortes de juros no país. Goolsbee observou, contudo, que dados recentes de inflação são “preocupantemente altos”. Por isso, a redução das taxas pode ser postergada.
Análise
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o payroll de fevereiro surpreendeu negativamente, com o corte líquido de 92 mil vagas no mercado de trabalho americano. “Ainda assim, o efeito do dado acabou sendo sobreposto pelo aumento do risco geopolítico, que passou a ser o principal vetor da sessão”, diz o analista.
“No câmbio, o dólar perdeu força no exterior, enquanto as moedas ligadas a commodities, como a coroa norueguesa e o dólar australiano, avançaram com a disparada do petróleo”, afirma Shahini. “Nesse contexto, o dólar à vista no Brasil acompanhou a dinâmica externa e fechou em queda em um mercado pela volatilidade.”
Sexta-Feira da Maldade
Felipe Sant’Anna, do grupo Axia Investing, definiu o pregão como uma “Sexta-Feira da Maldade”, com o mercado indo para um lado e para o outro, sem chegar a nenhum lugar. “Mas o Ibovespa passou 99% do tempo no terreno negativo, experimentando um pequeno momento de euforia até a chegada do payroll americano”, diz.
O relatório, destaca o especialista, mostrou uma forte retração do emprego, espalhando o mau humor pelos mercados. “No Ibovespa, os bancos todos performaram mal hoje, com o IFNC (o índice do sistema financeiro) registrando queda de 1,2%”, afirma.
“Petróleo é tudo”
Sant’Anna acrescenta que tanto o payroll como a guerra no Oriente Médio produzem uma “frustração no mercado” a respeito dos cortes de juros, tanto no Brasil como nos Estados Unidos. Isso porque o alívio da política monetária pode ser comprometido pelo temor de alta da inflação, com a disparada dos preços do petróleo.
“Um petróleo mais caro é um ativo absurdamente inflacionário no mundo todo. Tudo é petróleo. E ele pode chegar à casa dos US$ no fim de semana”, afirma. “Além disso, entre os investidores, nesta sexta-feira, ninguém quis se expor mantendo posições compradas em um fim de semana com dois dias sem operações no mercado financeiro, onde tudo pode acontecer.”
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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