
Por meio do Programa Antártico Brasileiro (Proantar), da Marinha do Brasil, vários cientistas brasileiros têm realizado expedições à Antártica. Um deles é o pesquisador Rodrigo Kerr, do Grupo de Oceanografia de Altas Latitudes (Goal) da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), que faz viagens ao extremo sul do planeta desde 2002.
O objetivo do pesquisadores da Goal é investigar a interação física, química e biológica no local e o impacto das mudanças climáticas no ecossistema oceânico.
A coleta de dados na região é importante para nós. Apesar de estar bem longe do Brasil, a Antártica envia massas de ar polar (ou frente frias) para cá. Elas são responsáveis por determinar a temperatura e a quantidade de chuvas, especialmente no inverno. É como se o extremo sul fosse o “ar-condicionado” de toda a Terra.
No entanto, com o avanço das mudanças climáticas e o aquecimento do planeta, a interação entre nosso país e a Antártica pode ser bagunçada. As regiões geladas podem ficar mais quentes e, consequentemente, tornar o Brasil mais suscetível à ocorrência de eventos climáticos extremos, como fortes chuvas no Sul ou secas prolongadas em outras regiões.
“A Antártica é um laboratório natural ainda pouco impactado pelas atividades humanas. O oceano antártico é um dos impulsionadores da circulação global dos oceanos, renovando as características e oxigenando as águas de toda a profundeza do oceano global”, afirma Kerr, que também é membro do Instituto de Pesquisas Oceânicas (Inpo).
As informações trazidas da Antártica ao Brasil ajudam a investigar a variação natural dos oceanos, mas também as alterações provocadas pelas mudanças climáticas. Os dados são essenciais para realizar pesquisas sobre cenários futuros do gelo local, por exemplo.
“É preciso que tenhamos séries temporais de diversos parâmetros químicos, físicos e biológicos e, para isso, é preciso um grande esforço para mantermos um monitoramento contínuo e de longa duração”, diz o pesquisador.
Segundo ele, os resultados das expedições também são importantes para formular novas estratégias de preservação ou mitigação no ambiente antártico.
Como é feita a viagem e a coleta de dados
Todas as viagens à Península Antártica são orientadas através das coordenadas do Proantar. No caso do Goal, as expedições ocorrem no verão austral, entre janeiro e fevereiro. O grupo de pesquisa se desloca por meio de voos de apoio até a cidade de Punta Arenas, no Chile. Por lá, eles embarcam nos navios da Marinha e dão início à ida ao solo antártico.
De acordo com Kerr, as principais dificuldades na viagem são as condições climáticas imprevisíveis do mar, que atrapalham o deslocamento da embarcação e podem até adiar a expedição.
“Durante a realização das atividades dos projetos de pesquisa a bordo dos navios na Antártica, outro contratempo pode ser a cobertura de gelo. Ela pode ser tão espessa que impede o avanço do navio e o transporte a determinadas regiões”, relata o cientista.
Para coletar dados químicos, físicos e biológicos da água, os pesquisadores utilizam instrumentos oceanográficos especializados, que medem temperatura, salinidade e pressão. A partir da colheita das amostras, pode-se determinar a concentração de oxigênio dissolvido, a fluorescência e a turbidez da água.
Importância da ciência brasileira para o clima global
As expedições marítimas brasileiras na Antártica colocam o Brasil em um papel de destaque na pesquisa científica. Além de ser importante para acompanhar a evolução das mudanças climáticas, os dados servem de base para pesquisadores do mundo todo estudarem o extremo sul global com mais profundidade.
Kerr afirma que a partir de informações coletadas pelo Goal e outros grupos de pesquisa, descobriu-se um um acúmulo de carbono em regiões profundas ao redor da Antártica provocado por atividades humanas.
“O Brasil hoje tem um papel fundamental na ciência antártica, sendo um dos pilares e protagonista mundial nos estudos científicos executados nos mares, oceanos e ecossistemas antárticos. Os dados gerados pelo Brasil são fruto de muita dedicação de pesquisadores, técnicos e estudantes de diferentes níveis de formação”, conclui o membro do Inpo.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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