
O bolsonarismo tem explorado a atuação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), à frente dos dois casos mais sensíveis do país na atualidade para desgastar a imagem de seus principais adversários, o ministro Alexandre de Moraes e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O magistrado indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) virou peça central na disputa de narrativas entre petistas e bolsonaristas ao assumir a relatoria do caso envolvendo as fraudes do Banco Master, que colocou a atuação de Moraes na berlinda, e da Farra do INSS, que tem o filho mais velho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, entre os investigados.
Embora ambos os casos tenham potencial explosivo para afetar toda a classe política — incluindo importantes bolsonaristas — e estejam sendo investigados pela Polícia Federal (PF) durante o governo Lula, a direita tem explorado nas redes a imagem de Mendonça como protagonista nos casos para fustigar seus principais inimigos: Moraes e o PT.
Como os escândalos estão longe de perder força, a estratégia de bombar a imagem do ministro associado ao bolsonarismo como um juiz linha-dura no combate à corrupção tende a seguir ano eleitoral adentro. Recentes decisões de Mendonça, como a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Lulinha, serviram de munição para o bolsonarismo.
Inteligência artificial
Um vídeo feito por inteligência artificial e compartilhado por Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente, por exemplo, mostra Moraes e Vorcaro caminhando lado a lado até que o relator do caso Master entra em cena com uma algema nas mãos, em frente a uma viatura da Polícia Federal.
A imagem de André Mendonça também tem sido turbinada por perfis bolsonaristas de alto alcance. A página de Instagram Tarcísio Governador, por exemplo, que tem 1,8 milhão de seguidores, compartilhou notícia de que a segurança do ministro seria reforçada em meio ao caso Master, com a seguinte mensagem: “Que Deus proteja o Mendonça e sua família! #jairbolsonaro”.
Moraes, que condenou Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, agora virou vidraça devido à suposta proximidade com Daniel Vorcaro, exposta pelas mensagens que ambos teriam trocado já durante o período de investigação, e ao contrato de R$ 129 milhões do escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci Moraes, com o Banco Master.
Se atinge o principal algoz do bolsonarismo, o caso Master também desgasta os aliados do ex-presidente. Para ficar no caso mais simbólico, o ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro, senador Ciro Nogueira (PP-PI), foi chamado nas mensagens obtidas pela PF de “grande amigo” por Vorcaro, que também comemorou emenda de autoria do senador que poderia beneficiar o Master.
Petistas têm argumentado que o caso foi descoberto no governo Lula e que o Banco Central liquidou o Master na gestão de Gabriel Galípolo, indicado pelo petista. Daí a importância para a oposição do ministro “terrivelmente evangélico” de Bolsonaro como protagonista no caso, permitindo que o inquérito sobre a fruade bilionário avance depois que o ministro Dias Toffoli se viu pressionado a deixar a relatoria.
INSS
No caso do INSS, cujas fraudes aconteceram nos governos Bolsonaro e Lula, a gestão petista está em uma situação mais delicada. Filho mais velho do atual presidente, Lulinha é alvo da CPMI que apura o escândalo revelado pelo Metrópoles e que mira a relação dele com Antonio Carlos Camilo Antunes, o lobista conhecido como Careca do INSS.
Lulinha e Careca viajaram juntos para Portugal para conhecer uma fábrica de cannabis medicinal. A interlocutores, Lulinha tem dito que não fechou negócio, embora tenha viajado com o lobista.
A Polícia Federal investiga anotações do Careca do INSS para pagar R$ 300 mil ao “filho do rapaz”. Um ex-funcionário do lobista disse à PF que o valor era pago a Lulinha, por meio de uma empresa de cannabis sediada em Portugal. A defesa do Lulinha nega relação do filho do presidente com os fatos investigados na comissão.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou um pedido da Polícia Federal para a quebra de sigilo do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A decisão atende a uma solicitação da PF no… pic.twitter.com/nXoY0si2qy
— Bibo Nunes (@bibonunes1) February 26, 2026
Como relator do caso, Mendonça autorizou o pedido de quebra de sigilo de Lulinha feito pela PF. Um dos que usou a figura do ministro foi o deputado bolsonarista Bibo Nunes (PL-RS), que divulgou uma imagem de Mendonça e Lulinha lado a lado, sob a legenda “pegaram ‘o filho do rapaz’”.
Perfis apoiadores do PT, por sua vez, têm acusado André Mendonça de liderar o embrião de uma segunda Operação Lava Jato, que ficou marcada por acusações de perseguição política contra petistas e seus aliado, levou à prisão de Lula e acabou praticamente anulada por decisões do STF.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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