PMs limparam apartamento onde esposa de coronel morreu, diz testemunha

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Imagem colorida da policial militar Gisele Alves Santana, morta - Metrópoles

Três policiais militares femininas foram ao apartamento onde a soldado Gisele Alves Santana foi encontrada baleada na cabeça para limpar o local poucas horas após a ocorrência. A informação consta no depoimento da inspetora de condomínio Fabiana, de 48 anos, prestado à Polícia Civil no inquérito que apura a morte da PM.

Segundo a testemunha, às 17h48 do mesmo dia do disparo, as três PMs foram ao imóvel, localizado na região do Brás, centro da capital paulista. Elas teriam entrado no apartamento para realizar a limpeza do local onde a soldado havia sido encontrada ensanguentada horas antes.

De acordo com o relato da inspetora, obtido pelo Metrópoles, as policiais foram identificadas como duas soldados e uma cabo. Fabiana acrescentou que acompanhou a entrada do trio no apartamento.

A testemunha disse que, naquele momento, o local ainda era o mesmo onde equipes de socorro haviam atendido a vítima pela manhã. Imagens da sala, onde a soldado foi encontada, mostram o chão repleto de sangue, espalhado após equipes de socorristas arrastarem Gisele, para realizar manobras de ressucitação.

Entrada de outras pessoas no imóvel

O depoimento da inspetora também relata que outras pessoas tiveram acesso ao apartamento após a ocorrência.

Segundo Fabiana, o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, marido da vítima, retornou ao imóvel ainda no mesmo dia. De acordo com a testemunha, ele entrou no apartamento para pegar alguns pertences antes de seguir para São José dos Campos, no interior de São Paulo.

A mesma testemunha relatou ainda que, logo após o atendimento inicial à vítima, o coronel havia permanecido no corredor do prédio enquanto falava ao telefone, além de também conver com policiais que atendiam a ocorrência.

Durante esse período, segundo a inspetora, o oficial entrou novamente no apartamento para tomar banho, mesmo após o disparo. Relatos de PMs que conduziam a ocorrência indicam que o oficial desrespeitou a orientação para irem imediatamente à delegacia.

As informações prestadas por Fabiana passaram a integrar o inquérito que analisa a dinâmica dos fatos dentro do imóvel.

Caso é investigado

A soldado Gisele Alves Santana foi baleada, no início da manhã de 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde vivia com o marido. A ocorrência foi irradiada por volta das 7h57, após a informação de que uma policial militar havia sido atingida por um disparo de arma de fogo na cabeça.

Equipes de resgate foram enviadas ao local e iniciaram manobras de reanimação ainda no apartamento. A vítima foi encaminhada em estado gravíssimo ao Hospital das Clínicas, onde morreu, às 12h04, em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado pelo tiro.

O marido da vítima, tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, afirmou à polícia que estava no banheiro tomando banho quando ouviu um barulho e, ao sair do cômodo, encontrou a esposa caída no chão da sala, com a arma nas mãos.

A pistola utilizada no disparo foi identificada como uma Glock calibre .40, pertencente ao acervo da Polícia Militar e registrada em nome do oficial.

Morte suspeita

Inicialmente tratado como possível suicídio, o caso passou a ser investigado pela Polícia Civil como morte suspeita. A Corregedoria da Polícia Militar também instaurou procedimento próprio para apurar eventuais responsabilidades administrativas e disciplinares.

Perícias, imagens de câmeras do prédio e depoimentos de testemunhas integram o conjunto de provas que tenta reconstruir o que aconteceu dentro do apartamento na manhã em que a policial foi baleada.

O Metrópoles procurou a Polícia Militar. Em nota, a corporação disse que todas as circunstâncias relacionadas à morte da Sd. PM Gisele Alves Santana são apuradas por meio de inquéritos instaurados pela Polícia Civil e pela Corregedoria da Polícia Militar. “A Instituição não compactua com irregularidades ou desvios de conduta e ressalta que, caso seja constatada qualquer ilegalidade, as medidas cabíveis serão adotadas”, finaliza o texto.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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