
Na semana da mulher, uma delegada de polícia do Maranhão denunciou assédio sofrido durante reunião com o secretário de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), Maurício Ribeiro Martins.
Em relato na internet e à associação que a defende, a profissional afirmou ter passado por situação “extremamente constrangedora” em encontro com o secretário que, pela hierarquia, é também chefe dela.
“Durante a reunião de trabalho, em um ambiente que deveria ser estritamente profissional, ele começou a fazer comentários e ‘gracinhas’, me chamando de ‘Delegata’, dizendo que eu era ‘a delegada mais bonita do Maranhão’ e que já me observava desde os tempos em que trabalhava no Tribunal de Justiça”, disse.
Ainda segundo a delegada, “em seguida, ele passou a insistir que queria uma foto minha para colocar no gabinete, repetindo várias vezes: ‘Não esqueça da foto’”, relatou a profissional, que não terá o nome revelado.
A delegada ressalta ainda que era a única mulher na sala. “O constrangimento foi enorme. A situação toda teve aquele ar típico do comportamento do ‘macho alfa’, que se sente à vontade para ultrapassar limites mesmo em um ambiente institucional”, ressaltou.
“Incompatível com a dignidade institucional”
A profissional denunciou o caso à Associação dos Delegados de Polícia do Estado do Maranhão (Adepol-MA), que considerou o comportamento do gestor “incompatível com a dignidade institucional e com o respeito que deve nortear as relações no âmbito da administração pública”.
Dois dias após o Dia Internacional das Mulheres, a instituição ressaltou que “condutas dessa natureza, ainda que por vezes travestidas de ‘brincadeiras’, são incompatíveis com a ética no serviço público e afrontam o respeito que deve ser assegurado às mulheres, sobretudo em ambientes institucionais”.
A nota da Adepol diz ainda que não se trata de ocorrência isolada. “Após as investidas ocorridas na sede da Secretaria de Segurança Pública, a mesma conduta teria sido reiterada posteriormente, desta vez em reunião realizada na sede da Secretaria de Estado da Administração (Sead), o que evidencia a persistência de comportamento incompatível com o ambiente institucional”.
A entidade pediu que o governo do Maranhão tome providências e informou que “será realizado o devido registro de ocorrência e que as autoridades competentes serão formalmente comunicadas para a apuração dos fatos“.
A coluna entrou em contato com a assessoria do governo do Maranhão, mas até a última atualização desta reportagem não havia recebido resposta.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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