
Uma professora do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 03 da Cidade Estrutural, no Distrito Federal, disse ao Metrópoles estar “apavorada” após a chegada de um docente condenado por matar a ex-namorada em 2010. O profissional passou a dar aulas na unidade neste início de ano letivo.
A mulher, que pediu para não ter o nome revelado, disse que conviver diariamente com o colega tem provocado medo e tensão entre os professores da escola.
“Tenho medo de ter que ficar com ele aqui o ano todo e tratar de assuntos sensíveis com ele”, relatou a docente. Segundo ela, o clima entre os funcionários é de insegurança. “Somos muitas mulheres. Somente no período da tarde, são 12 professoras”, comenta.
Em outro momento, a professora descreveu o impacto da situação no cotidiano. “Eu só não quero ter que conviver com ele. Passo os dias tremendo, eu travo em todas as vezes em que tenho que falar com ele”, disse.
De acordo com a profissional, Igor Azevedo chegou à escola normalmente, sem qualquer aviso por parte da Secretaria de Educação.
“Ninguém sabia de nada, até que uma colega o reconheceu. A partir daí, a história começou a se espalhar”, contou. “Estou apavorada com a história”.
Ainda neste mês de março, o CEF 03 promoverá evento intitulado Semana Escolar de Combate ao Machismo e Violência Contra a Mulher. A professora admite que não sabe o que esperar em relação a Igor quando a programação for realizada, uma vez que o tema contrasta com o crime por ele cometido.
“Como vamos fazer um evento desta temática com um feminicida confesso junto?! No dia a dia, ele finge que nada aconteceu, mas não sabemos qual será a reação dele caso perceba que todos nós sabemos do caso”, explica. “E se ele surtar e achar que [o evento] é por conta da presença dele?!”, pontua.
A mulher reclama ainda da falta de seleções mais criteriosas no momento da escolha de profissionais para atuar na rede pública. “Causa indignação o fato de não haver um cuidado da Secretaria de Educação com contratações. É preocupante o risco que crianças, adolescentes, pais e professores estão correndo”, afirma.
Crime
O docente é Igor Azevedo Bomfim, 46 anos. Ele se inscreveu no processo seletivo mais recente para professor substituto temporário da Secretaria de Educação do Distrito Federal e foi convocado no início deste ano.
Em 2 de novembro de 2010, Igor invadiu a casa da então ex-namorada, Mayara de Souza Lisboa, em Santa Rita de Cássia (BA), e atirou contra ela. A jovem morreu no local.
Após o crime, o homem ficou foragido por 12 dias e depois se apresentou à polícia, confessando o assassinato. À época, alegou ter agido em “defesa da honra”.
Ele chegou a ser absolvido pelo Tribunal do Júri em 2013, mas a decisão foi anulada. Em 2019, foi condenado a 10 anos, 10 meses e 18 dias de prisão.
O professor recorreu e permaneceu em liberdade até novembro de 2024, quando o caso transitou em julgado e ele foi preso no Distrito Federal. Dias depois, no entanto, o Supremo Tribunal Federal anulou o trânsito em julgado, e ele acabou solto. O processo segue sem novas atualizações relevantes.
O que diz Secretaria de Educação
A Secretaria de Educação do Distrito Federal afirma, em nota, que tem conduzido o caso com discrição. “A Corregedoria da SEEDF está adotando as providências pertinentes, por meio de processo sigiloso”, pontua.
A pasta não citou se tinha conhecimento do processo judicial no qual Igor é réu no momento da admissão do profissional.
O que diz o acusado
Em nota, a defesa de Igor Azevedo Bomfim informou que aguarda decisão do STJ a respeito da acusação contra o réu no caso da morte da ex-namorada.
“A defesa de Igor se limita à atuação nos autos do processo. E, a respeito disso, [a defesa] tem a informar que, nos termos do que preceitua a Constituição Federal, qualquer pessoa é presumidamente inocente até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”, encerra.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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