Hermeto após operação: "Minha emenda era para reforma da escola, não para aluguel”

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
deputado-hermeto-mdb-discute-o-projeto-de-lei-do-governo-do-distrito-federal-gdf-socorrer-o-banco-de-brasilia-brb-por-meio-do-uso-de-nove-imoveis-publicos—metropoles-1

Odeputado distrital Hermeto (MDB) fez nova manifestação a respeito da Operação Blackboard, deflagrada pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT), na manhã desta quinta-feira (12/3). O órgão investiga desvios em contratos da Secretaria de Educação do DF, e endereços ligados ao parlamentar foi alvo de busca e apreensão.

Hermeto enviou emenda parlamentar para a Associação de Apoio à DRE do Núcleo Bandeirante via Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF). A entidade é ligada à então coordenadora Regional de Ensino do Núcleo Bandeirante Ana Maria Alves da Silva, investigada pelo MP como responsável por iniciar o processo de mudança de sede do CEF 01 da Candangolândia. A associação recebeu, ao todo, R$ 27 milhões em recursos destinados por deputados.

O político confirma a emenda, mas afirma que o valor deveria ser utilizado no aprimoramento do CEF 01. “Minha emenda era pra reforma da escola, não para aluguel“. Ele também disse que em momento algum participou direta ou indiretamente da licitação. “Em momento algum mandei emenda para contrato de aluguel, mas sim para escolas que eu apadrinho, da minha região”.

As investigações apontam que a Secretaria alugou, em 2020, um imóvel particular localizado no Setor de Postos e Motéis Sul (SPMS), na Candangolândia (DF), para abrigar alunos do Centro de Ensino Fundamental 01 (CEF 01) da Candangolândia enquanto a sede pública do colégio seria reformada. A pasta, porém, não apresentou laudo técnico que comprovasse a necessidade de reforma, o que gerou suspeita no aluguel do prédio.

Hermeto teria intermediado o contato entre a Educação e o dono do edifício alugado e, por conta desse e de outros indícios, se tornou alvo do MP.

Em contato com o Metrópoles, Hermeto disse que, em 2020, recebeu uma ligação do dono do prédio onde hoje funciona o CEF 01 da Candangolândia, o empresário Carlos Eduardo Coelho Ferreira. No contato, Carlos Eduardo teria pedido ajuda ao parlamentar para acelerar o acordo de aluguel — a Secretaria de Educação fez dispensa de licitação para firmar contrato com uma empresa e definir a nova sede, e Carlos Eduardo teria vencido o processo.

Hermeto confirma que, após o pedido de Carlos, ligou para o então secretário da Educação, João Pedro Ferraz. O parlamentar diz que o fez porque “as crianças estavam estudando em uma escola caindo aos pedaços”. Dez dias depois, a Educação firmou contrato para escolher o prédio de Carlos Eduardo Ferreira como abrigo provisório do CEF 01 enquanto a sede seria reformada.

“Atuo pela educação”

O deputado não entende a intermediação relatada acima como tráfico de influência e disse que agiu com o intuito de ajudar as crianças da escola.”Se isso for fazer tráfico de influência, eu fiz, sim. Atuo pela educação”.

Perguntado se tem relação com o empresário Carlos Eduardo Ferreira, dono do prédio onde atualmente funciona o CEF 01 e também a Coordenação Regional de Ensino (CRE) do Núcleo Bandeirante, Hermeto nega, mas afirma conhecê-lo porque Carlos é famoso na região.

Celular desbloqueado

Por fim, Hermeto afirma que teve o celular apreendido por agentes do MP, na manhã desta quinta-feira. O parlamentar alega ter entregue o aparelho desbloqueado. “Entreguei de boa. Não tenho nada a esconder”, declarou ao Metrópoles.


Entenda a operação


Veja imagens da operação:

O que diz a Secretaria de Educação

Em nota, a Secretaria de Educação informou que o processo tramita sob regime de sigilo e que a Pasta segue à disposição das autoridades.

“A Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal informa que o processo em referência tramita sob regime de sigilo, em observância às normas legais aplicáveis e à necessidade de preservação da integridade das apurações em curso.

Não obstante a natureza sigilosa dos autos, a Pasta permanece integralmente à disposição das autoridades competentes, colocando-se pronta para fornecer todas as informações e esclarecimentos que se fizerem necessários, com o propósito de colaborar de forma plena e institucional com os órgãos policiais e judiciais responsáveis pela condução das investigações e pela adequada elucidação dos fatos.”

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *