Deixem o Supremo decidir sobre prisão de Vorcaro em paz

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Estátua da Justiça STF

O caso Vorcaro ganhou uma dimensão tal que qualquer pessoa que acompanhe política, ou mesmo os sites de fofoca, já ouviu falar dele.

A sensação é de que, nesta sexta-feira, o país inteiro vai parar, como acontecia antigamente com o último capítulo das novelas, para assistir ao desfecho — e com quase todo mundo torcendo pelo mesmo final. Não foram raras as vezes em que autores mataram o vilão apenas para atender ao desejo da audiência.

Sob esse mesmo clima de vigília, o Supremo vive hoje o seu dia decisivo.

Se contrariar o senso comum e mandar soltar Daniel Vorcaro, os ministros da Segunda Turma se tornarão alvo imediato da fúria coletiva. Se fizerem o contrário, serão alçados à condição de heróis. Opinar faz parte do jogo democrático.

O problema é que o preço de uma Corte que decide sob pressão, e não por convicção, é alto e já pagamos por ele em vários momentos da nossa história recente.

O Judiciário não escreve novelas. A caneta de um ministro interfere na vida real. Sejam garantistas ou punitivistas, juízes têm um dever simples e, ao mesmo tempo, difícil: seguir a lei, examinar os argumentos da defesa e cumprir a função para a qual foram investidos. A venda nos olhos da deusa da justiça representa que ela não vê a quem julga, focando apenas nos fatos e argumentos, buscando a equidade.

Quando reuniu algumas das maiores estrelas da música para gravar “We Are the World”, Quincy Jones colocou um aviso na porta do estúdio: “Deixe seu ego lá fora”.

A confecção e instalação dessas placas nas entradas dos tribunais seria um bom uso do dinheiro público.

 

 

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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