
Acredita-se que vários planetas possuem água, especialmente congelada. O problema é que a exploração deles é complicada devido à forte radiação e as temperaturas extremamente baixas. O ambiente hostil diminui a capacidade de investigação das tecnologias atuais e, em alguns casos, pode até interromper o funcionamento delas.
Para resolver a questão, o Instituto de Tecnologia da Geórgia (Georgia Tech), em parceria com a Nasa, desenvolveu componentes eletrônicos para ser a base de novos dispositivos exploratórios futuros. O avanço na inovação foi divulgado pela agência espacial norte-americana nessa terça-feira (10/3).
A nova tecnologia foi capaz de operar de forma eficaz e confiável em testes a um temperatura de -180°C e radiação 50 vezes maior à mortal para humanos. As condições da investigação são as mesmas encontradas em Europa, uma das principais Luas de Júpiter e onde há um oceano congelado.
Os pesquisadores acreditam que a exploração de Europa e de outras localidades com condições semelhantes pode revelar oceanos líquidos abaixo do gelo, ingrediente essencial para a formação da vida e dar mais pistas de como o Sistema Solar se formou.
Como funciona a nova tecnologia
Atualmente, para superar as condições hostis, missões exploratórias para a Lua e a Marte utilizaram “caixas aquecidas” para colocar os eletrônicos. Elas protegem os dispositivos da radiação e as mantêm em temperatura semelhante à da Terra.
No entanto, a adição do compartimento aquecido aumenta peso, tamanho, consumo energético e custo da operação. Para missões que irão para distâncias ainda maiores, como as para Júpiter, todos esses problemas são ainda mais amplificados.
A solução desenvolvida pelos cientistas foi justamente criar protótipos de chips completos feitos de silício-germânio (SiGe). Além de serem menores, os materiais são resistentes a ambientes extremos.
Materiais produzidos com SiGe funcionam até melhor em condições hostis de extremo frio. Isso porque as temperaturas extremamente baixas fazem com que os elétrons presentes no material se desloquem com menos interferências. Assim, quanto maior o frio, maior também será o funcionamento.
Além disso, por terem menos partes feitas de óxidos sensíveis à radiação, o protótipo sofre menos danos com a radiação.
Aplicações do dispositivo
Através do chip, os pesquisadores conseguiram criar um sistema de comunicação por rádio muito pequeno e com baixo consumo de energia. Ao ser testado em condições extremas, ele conseguiu transmitir dados sem maiores intercorrências.
“O projeto e o teste de um sistema com essas capacidades únicas nunca haviam sido realizados antes. Esse tipo de comunicação de radiofrequência SiGe poderia viabilizar missões em mundos oceânicos, servindo como uma interface eletrônica de dados para redes de sensores distribuídos, um módulo de pouso, um orbitador ou máquinas de perfuração de calotas polares e submersíveis”, aponta a Nasa.
Com o sucesso dos testes, o próximo passo é disponibilizar a tecnologia comercialmente para começar a ser utilizada. A agência norte-americana afirma que os arquivos do projeto estão disponíveis para serem usados em missões futuras.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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