Coronel é investigado por ameaçar esposa encontrada com tiro na cabeça

Arte/Metrópoles
Arte gráica em que foto de casal está rasgada ao meio - Metrópoles

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Netoé investigado pela Corregedoria da Polícia Militar por perseguir, intimidar e ameaçar a esposa, a soldado Gisele Alves Santana.

Ela morreu em 18 de fevereiro, horas após ser encontrada com um tiro na cabeça na sala do apartamento no qual vivia com o oficial, no centro da capital paulista. O caso é investigado pelo 8º Distrito Policial (Brás) como morte suspeita.

A denúncia foi feita à Corregedoria dois dias após a morte da soldado, como revelado pelo repórter Lucas Jozino, da TV Globo, e confirmado pelo Metrópoles.

No documento da Corregedoria, obtido pela reportagem, o tenente-coronel é apontado pelo denunciante como uma pessoa com “instabilidade emocional”.

Por isso, segue a denúncia, eram recorrentes “episódios de perseguição, intimidação e ameaças em desfavor da soldado Gisele, a qual vivia em estado de apreensão e medo”.

As condutas atribuídas ao oficial, ainda de acordo com o documento da PM, foram presenciadas “por diversas testemunhas”.

Diante da denúncia, a Corregedoria instaurou um inquérito policial militar por ameaça, para apurar “indícios de possíveis infrações penais militares”.

Procurada nesta sexta-feira (13/03), a defesa do oficial afirmou não ter tido acesso ao inquérito da PM. O espaço segue aberto para manifestações.

Relatos sobre controle da rotina

Relatos reunidos no inquérito do 8º DP, que apura a morte da soldado, também descrevem situações em que Gisele demonstraria desconforto diante do comportamento do marido.

Testemunhas ouvidas pela Polícia Civil afirmaram que o relacionamento entre o casal era marcado por episódios de controle e vigilância por parte do oficial, segundo depoimentos prestados durante a investigação.

Uma dessas testemunhas relatou que o coronel não permitia que a policial saísse maquiada quando estava longe dele. Outros relatos indicam que Gisele não frequentava academia sozinha, porque o marido costumava acompanhá-la aos treinos, até mesmo quando ele não ia se exercitar.

Cena no elevador chamou atenção

Um dos depoimentos reunidos no inquérito é o de uma moradora do prédio onde o casal vivia, que descreveu um episódio ocorrido dentro do elevador do edifício.

Segundo o relato prestado à Polícia Civil, a vizinha afirmou que encontrou o casal no elevador e percebeu que a soldado aparentava desconforto. Ela, assim como outros moradores, disse ainda que o oficial não respondia a saudações e era considerado uma pessoa “sem educação” e “soberba”.

De acordo com a testemunha, Gisele permaneceu olhando para baixo durante todo o trajeto, sem levantar os olhos ou iniciar conversa, comportamento que chamou a atenção da moradora.

A vizinha ainda afirmou que a postura da soldado transmitia “claro constrangimento” enquanto ela estava ao lado do marido.

Relacionamento sob análise

Os depoimentos passaram a integrar o conjunto de elementos analisados pela investigação que busca esclarecer as circunstâncias da morte da militar.

Gisele foi encontrada baleada na cabeça dentro do apartamento onde vivia com o tenente-coronel, no bairro do Brás, na manhã de 18 de fevereiro. Ela chegou a ser socorrida e levada ao Hospital das Clínicas, onde morreu horas depois.

A Polícia Civil conduz um inquérito para esclarecer a dinâmica do disparo, enquanto a Corregedoria da Polícia Militar investiga as denúncias de intimidação e ameaças atribuídas ao oficial.

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto nega ter provocado a morte da esposa. Segundo relatos prestados por ele à investigação, Gisele teria disparado contra a própria cabeça dentro do apartamento.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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