
Um estudo conduzido por pesquisadores do Silent Spring Institute e do Southwest Research Institute, nos Estados Unidos, identificou dezenas de substâncias químicas potencialmente nocivas em extensões de cabelo vendidas no mercado. Ao todo, foram encontradas 48 substâncias classificadas como perigosas em listas internacionais de monitoramento químico.
Os resultados foram publicados em fevereiro na revista Environment & Health. Para o trabalho, os cientistas analisaram 43 produtos populares de extensão capilar, incluindo itens divulgados como “atóxicos” e alguns voltados ao público jovem.
As análises mostraram que compostos problemáticos estavam presentes em quase todos os produtos avaliados. Apenas dois não apresentaram substâncias consideradas preocupantes.
“Relatórios anteriores já haviam identificado algumas substâncias preocupantes em extensões de cabelo, mas ainda sabíamos muito pouco sobre a composição química desses produtos. Queríamos entender melhor a dimensão desse problema”, diz a química analítica Elissia Franklin, do Silent Spring Institute e principal autora do estudo, em comunicado.
Substâncias associadas ao câncer e alterações hormonais
Entre os compostos identificados, 17 estão associados ao câncer de mama e foram encontrados em 36 das amostras analisadas. Alguns desses químicos podem interferir no funcionamento hormonal do organismo, o que pode influenciar o risco de desenvolvimento da doença.
Doze substâncias também aparecem na chamada Proposição 65 da Califórnia, uma lista oficial que reúne compostos conhecidos por causar câncer, defeitos congênitos ou outros danos reprodutivos.
Os pesquisadores também encontraram quatro tipos de retardantes de chama potencialmente nocivos. Esses compostos são frequentemente adicionados a materiais para torná-los resistentes ao fogo, mas sua presença em extensões de cabelo levanta preocupações sobre possíveis riscos durante o uso, já que esses produtos permanecem por longos períodos em contato com o couro cabeludo.
Outro grupo de compostos identificado foi o de organoestânicos, detectados em quase 10% das amostras analisadas. Essas substâncias são usadas na fabricação de materiais plásticos e já foram associadas a efeitos tóxicos em estudos com animais.
“Ficamos especialmente surpresos ao encontrar organoestânicos. Eles costumam ser usados como estabilizadores térmicos em materiais como o PVC e já foram associados à irritação da pele, uma queixa relatada por algumas pessoas que usam extensões”, diz Elissia.
Exposição prolongada e falta de regulamentação
Segundo os autores, a forma como as extensões de cabelo são utilizadas pode aumentar a preocupação com os compostos. Muitas pessoas usam os produtos por longos períodos, em contato direto com o couro cabeludo e próximo às vias respiratórias.
Além disso, as extensões costumam ser aquecidas durante processos de modelagem. O calor pode alterar os compostos químicos presentes no material e facilitar a liberação dessas substâncias no ar.
Os pesquisadores também destacam que existe pouca transparência sobre os ingredientes utilizados na fabricação das extensões. Muitas vezes, as empresas não informam quais compostos químicos são usados para conferir propriedades como resistência ao fogo, impermeabilidade ou ação antimicrobiana.
“Essas descobertas mostram que é urgente ampliar a fiscalização e incentivar o desenvolvimento de produtos mais seguros”, afirma Franklin. “As empresas raramente divulgam quais produtos químicos utilizam, deixando os consumidores sem saber exatamente ao que estão expostos”, alerta.
Apesar dos resultados, os pesquisadores ressaltam que o estudo avaliou apenas a presença das substâncias químicas e não mediu diretamente os efeitos do uso desses produtos na saúde. Para entender melhor os riscos, ainda serão necessárias pesquisas que investiguem os níveis de exposição e seus possíveis impactos ao longo do tempo.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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