Advogado de Vorcaro "infernizou" juiz horas antes da prisão do banqueiro

Reprodução / YouTube
Daniel Vorcaro

O advogado Walfrido Warde, que defendia o banqueiro Daniel Vorcaro até o começo deste ano, entrou em contato com o juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, horas antes do magistrado decretar a prisão do dono do Banco Master, em 17 de novembro de 2025.

De acordo com o jornal o Estado de São Paulo, Walfrido Warde enviou a Daniel Vorcaro um print de uma conversa dele com o magistrado Ricardo Leite. “Estamos infernizando o cara”, disse o advogado na mensagem ao banqueiro.

A conversa e outros materiais encontrados no celular do banqueiro sugeririam, segundo trechos do relatório da Polícia Federal acessados pelo jornal paulista, que Vorcaro teve “conhecimento prévio da futura operação policial”. 

O Metrópoles entrou em contato com Walfrido Warde, mas ainda não obteve retorno. A publicação será atualizada em caso de manifestação.

Ao Estado de São Paulo, Walfrido afirmou que advogou em favor de Vorcaro “absolutamente dentro da lei” e que “jamais participou de atos de obtenção de dados cobertos pelo sigilo legal ou policial”.

Vazamento de informações

Um mês antes da primeira prisão de Vorcaro, foi realizada uma reunião no Banco Central junto a policiais federais sobre o Banco Master. Segundo a corporação, Vorcaro tinha registrado os nomes de todos os delegados que estavam na reunião. Posteriormente teria dito que a mensagem veio de “amigos do BC”.

Na manhã de 17 de novembro, dia da prisão. Warde e Vorcaro se falaram por telefone para tratar de um “assunto importante”, segundo o que foi descrito pelo advogado por mensagem. Depois, o banqueiro pediu por mensagem para que a secretária cancelasse os compromisso dele. Uma hora depois, Vorcaro teria dito a Warde por mensagem que agendou um voo no mesmo dia.

Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Ele tentava embarcar um voo particular com destino a Dubai, nos Emirados Árabes. Ele acabaria sendo transferido para prisão domiciliar cumprindo medidas cautelares pouco depois.

Ainda na conversa com o advogado antes da primeira prisão, Vorcaro diz que iria anunciar em poucas horas a venda do Master para o Grupo Fictor, uma transação “com players complementares e de alcance global”, citando “a força e a resiliência” do Master “superando desafios significativos”

Para a PF, essa mensagem provaria que a transação foi montada artificialmente para justificar a viagem do empresário para o exterior.

Vorcaro voltou a ser preso em 4 de março, acusado de obstrução e ameaça. Nesta sexta-feira (13/03) a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) referendou, por maioria, a decisão do ministro relator do Caso Master, André Mendonça, e manteve a prisão de Daniel Vorcaro.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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