
Conta Robson Bonin, colunista da Veja, que no mesmo dia em que a maioria dos ministros da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu manter a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, Vorcaro precisou receber atendimento médico no presídio federal da Papuda, em Brasília, onde ocupa sozinho e sem regalias uma cela de seis metros quadrados.
Nada se comparado com os 64,83 metros quadrados da cela de Bolsonaro na Papudinha, uma espécie de ala VIP do Complexo Penitenciário da Papuda e sede do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal. A área total reservada a Bolsonaro é quase dez vezes superior ao mínimo previsto na Lei de Execução Penal, e bem acima dos padrões internacionais mínimos.
Vorcaro surtou ao receber a notícia de que seguirá preso. Assim decidiram os ministros André Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux, os dois primeiros nomeados para seus cargos por Bolsonaro. Fux votou pela absolvição de Bolsonaro no processo que condenou os golpistas do 8 de janeiro de 2023. No caso de Vorcaro, ainda falta votar o ministro Gilmar Mendes.
O banqueiro é acusado de liderar uma organização criminosa que realizava fraudes financeiras bilionárias, lavagem de dinheiro, corrupção de servidores do Banco Central e uso de uma “milícia privada” para ameaçar jornalistas, ex-empregados e concorrentes. A milícia era chefiada por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário, que se matou tão logo foi preso.
Vorcaro esmurrou as paredes da cela e chegou a gritar nomes de políticos e autoridades que tiveram relacionamento financeiro com ele e, neste momento, não estariam atuando em seu favor para tirá-lo da prisão. Ao recuperar-se do surto, a primeira coisa que ele fez foi trocar de advogado. Dispensou Pierpaolo Bottini e contratou o também criminalista José Luís Oliveira Lima, o Juca.
Oliveira Lima tem larga experiência na negociação de grandes acordos de delação premiada. Os atuais advogados de Vorcaro já atuam para clientes que podem vir a figurar como delatados em um futuro acordo, o que configuraria conflito de interesses, caso os defensores continuassem o trabalho. A banda podre da República foi dormir, ontem, aflita sem saber que nomes Vorcaro gritou.
Da memória do celular de Vorcaro apreendido pela Polícia Federal já brotaram nomes de gente muito importante ligada a ele. Antonio Rueda, presidente do União-Brasil, foi um. Outro: Ciro Nogueira, senador e presidente do PP, “um grande amigo da vida”, segundo Vorcaro. E mais: Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal, que negociou a compra do Master pelo Banco de Brasília.
Uma eventual delação de Vorcaro poderá manchar a reputação de pessoas famosas, tais como os governadores Cláudio Castro (Rio) e Tarcísio de Freitas (SP), o presidente do Senado, David Acolumbre, o chefe da Casa Civil do governo Lula, Rui Costa, o deputado Nikolas Ferreira, o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, e Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central.
A Vorcaro parece estar reservado o papel de grande eleitor em outubro próximo. Só depende dele.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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