
Nas eleições, quando a realidade não ajuda, a oposição tenta fabricar um enredo. O episódio envolvendo Darren Beattie, o suposto “enviado especial” de Donald Trump, é o exemplo perfeito do que eu chamo de diplomacia de fachada.
Beattie, um sujeito com um currículo que faria qualquer diplomata sério corar – demitido da Casa Branca por comentários supremacistas -, vinha ao Brasil com um objetivo claro: transformar uma cela na Papudinha em palco internacional.
Não há prova alguma de que Trump tenha enviado esse cidadão para tratar de assuntos de Estado. O que se observa é uma articulação doméstica, liderada por Eduardo Bolsonaro e seus aliados no exterior, para dar a Jair Bolsonaro um ar de perseguido político global.
A ideia era simples: Beattie visitaria o ex-presidente na prisão, sairia de lá com declarações bombásticas contra o Judiciário brasileiro e criaria a ilusão de que a Casa Branca de Trump já estaria monitorando a “ditadura” no Brasil.
Lula, desta vez, não dormiu no ponto.
Ao revogar o visto de Beattie, o governo brasileiro agiu com o rigor que a soberania exige, mas também com o pragmatismo de quem não quer alimentar o circo alheio.
Proibir a entrada de um supremacista branco não é apenas uma questão de ideologia; é evitar que o país seja usado como laboratório para a extrema-direita internacional testar seus limites.
O Planalto cortou o mal pela raiz antes que o “enviado” desembarcasse para inflamar as redes sociais.
No fim das contas, o que sobra é o desespero de uma oposição que já não consegue pautar o país com propostas e precisa importar figurantes de segunda categoria para tentar salvar a imagem do seu líder.
Bolsonaro, agora internado, deixa a expectativa da atualização dos boletins médicos. Trump, se sabe quem é o seu suposto assessor, não liga pra isso, a essa altura.
E a diplomacia brasileira, a contragosto de muitos, mostrou que ainda sabe usar o carimbo do visto para proteger os seus interesses.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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