Dinossauro gigante descoberto no Maranhão indica ligação com a Europa

Arte Jorge Blanco/Universidade Federal de Santa Maria
Reconstituição artística de Dasosaurus tocantinensis. Metrópoles

A descoberta de um novo dinossauro no interior do Maranhão está ajudando cientistas a entender como grandes animais herbívoros se espalharam entre diferentes continentes há cerca de 120 milhões de anos.

A espécie, batizada de Dasosaurus tocantinensis, reforça a hipótese de que partes da América do Sul, da África e da Europa ainda estavam conectadas por rotas terrestres no início do período Cretáceo.

O estudo foi liderado pelo pesquisador Elver Mayer, da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), com participação do paleontólogo Leonardo Kerber, do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (Cappa) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Os resultados foram publicados na revista científica Journal of Systematic Palaeontology, em 12 de fevereiro.

Os fósseis foram encontrados em 2021 no município de Davinópolis, no Maranhão, durante atividades de monitoramento paleontológico realizadas em uma área associada a obras de infraestrutura. O material estava preservado em sedimentos da Formação Itapecuru, datados do período Aptiano.

O conjunto de fósseis pertence a um único dinossauro e inclui vértebras da cauda, costelas, ossos do antebraço, partes da pelve, além de fêmur, tíbia, fíbula e ossos do pé.

Gigante que viveu no norte do Brasil

Entre os restos encontrados, um dos elementos que mais chamou atenção foi o fêmur, com cerca de 1,5 metro de comprimento. Com base nessa medida, os pesquisadores estimam que o animal poderia atingir aproximadamente 20 metros de comprimento total.

O dinossauro pertence ao grupo dos titanossauriformes, uma linhagem de saurópodes que inclui alguns dos maiores vertebrados terrestres que já existiram.

Segundo os cientistas, o Dasosaurus apresenta uma combinação única de características anatômicas. Entre elas estão três cristas alongadas nas vértebras da cauda associadas à inserção muscular e uma saliência lateral bem desenvolvida no fêmur.

Essas características indicam que o animal tinha uma anatomia intermediária entre formas mais antigas do grupo e titanossauros mais avançados, o que ajuda a esclarecer etapas importantes da evolução desses gigantes herbívoros.

paleontólogo Leonardo Kerber deitado ao lado do femur encontrado. Metrópoles
Para dar uma ideia da dimensão gigantesca do dinossauro encontrado, o paleontólogo da UFSM Leonardo Kerber deita-se ao lado de um dos fósseis escavados no Maranhão

Conexão antiga entre continentes

Um dos aspectos mais importantes da descoberta está nas relações evolutivas da nova espécie. As análises indicam que o Dasosaurus tocantinensis é o parente mais próximo conhecido do Garumbatitan morellensis, um dinossauro descrito na Espanha.

Essa proximidade foi identificada a partir de semelhanças na estrutura de ossos como as vértebras da cauda e o fêmur.

Com base nesses dados, os pesquisadores realizaram modelagens biogeográficas que sugerem que essa linhagem pode ter se originado na Europa e, posteriormente, se dispersado para a América do Sul entre cerca de 140 e 120 milhões de anos atrás, possivelmente passando pelo norte da África.

O cenário reforça a ideia de que, naquele período, ainda existiam conexões terrestres que permitiam a circulação de grandes dinossauros entre regiões que hoje pertencem a continentes diferentes, antes da abertura definitiva do Oceano Atlântico.

Além de revelar uma nova espécie, a descoberta também ajuda a entender melhor a diversidade de dinossauros que viveram no norte do Brasil, uma região ainda pouco explorada do ponto de vista paleontológico.

Análises microscópicas do tecido ósseo também foram realizadas para entender como o animal crescia. Os resultados mostram uma combinação de características observadas tanto em titanossauriformes mais primitivos quanto em titanossauros mais avançados, sugerindo que algumas adaptações típicas desse grupo já estavam em desenvolvimento no início do Cretáceo.

Os fósseis do Dasosaurus tocantinensis estão atualmente depositados no Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão, em São Luís, onde permanecem disponíveis para estudos científicos.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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