
O Brasil fez história ao conquistar cinco indicações ao Oscar 2026. O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, disputa Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator, com Wagner Moura, e Melhor Direção de Elenco. Já Adolpho Veloso concorre a Melhor Fotografia por Sonhos de Trem.
A estatueta mais provável é a de Melhor Filme Internacional, segundo Marcio Sallem, professor de cinema, e Miriam Spritzer, da Hollywood Creative Alliance. Se vencer novamente, o Brasil repetirá um feito que não ocorre desde 1987 e 1988, quando a Dinamarca ganhou a categoria dois anos seguidos.
Spritzer também destaca que a divisão de votos na categoria de Melhor Ator pode abrir caminho para uma vitória de Wagner Moura. Já a cineasta Fernanda Schein enxerga mais chances para O Agente Secreto em Direção de Elenco, mas aponta o diretor de fotografia Adolpho Veloso como principal aposta brasileira neste ano.
Os especialistas concordam que, mesmo sem vitórias, o número recorde de indicações é uma grande conquista. Em 2025, Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, garantiu ao país a primeira estatueta de Melhor Filme Internacional. Agora, com mais indicações, o Brasil consolida o espaço do cinema nacional na premiação.
Melhor Filme Internacional
A categoria concentra grande expectativa após a vitória brasileira no ano passado. Em 2026, o principal concorrente é Valor Sentimental, da Noruega, indicado a nove categorias. Ainda disputam Foi Apenas Um Acidente (França), Sirat (Espanha) e A Voz de Hind Rajab (Tunísia).
Especialistas ouvidos pelo Metrópoles apontam Valor Sentimental como o favorito, sobretudo por aparecer em categorias de peso, como Direção e Roteiro Original.
“Bem possível que esse filme acabe recebendo o prêmio de Melhor Filme Internacional, até por ter o diretor indicado. E o Kléber Mendonça não está indicado à categoria de Melhor Diretor. Isso é geralmente um bom sinal para ver quem vai ganhar”, analisa Miriam Spritzer.
Em 2025, Emilia Perez tinha 10 indicações a mais do que Ainda Estou Aqui e também figurava em categorias centrais. Ainda assim, o filme sobre Eunice Paiva venceu. Para o crítico Marcio Sallem, é justamente em Filme Internacional que estão as maiores chances do Brasil.
“É um filme que tem obtido uma repercussão muito forte pela sua narrativa ousada, política, pela sua forma ambiciosa”, opina.
Se vencer, o Brasil se tornará o primeiro país da América do Sul com duas vitórias consecutivas na categoria. Apenas Japão, França, Itália, Suécia e Dinamarca alcançaram esse feito. Franceses e italianos repetiram a conquista em três ocasiões cada. A última sequência ocorreu em 1988.
Melhor Ator
Desde o início da temporada, Wagner Moura mantém campanha intensa, com forte presença em eventos e programas internacionais. Ele se tornou o primeiro brasileiro a vencer o Globo de Ouro de Melhor Ator em Drama, mas o cenário no Oscar segue indefinido.
Timothée Chalamet, de Marty Supreme, começou como favorito, mas perdeu força ao longo da temporada. A categoria ainda reúne nomes de peso como Leonardo DiCaprio, por Uma Batalha Após a Outra, Michael B. Jordan, por Pecadores, e Ethan Hawke, estrela de Blue Moon.
“O favorito na categoria é o Timothée Chalamet é quase que claro. Mas é possível que os votos dele, os votos do Michael B. Jordan se separem e abra a possibilidade para uma ‘terceira via’. Será que vai ser Wagner Moura? Pode ser que sim”, analisa Miriam.
No Critics Choice Awards e no Globo de Ouro, Chalamet saiu campeão em categorias de atuação. Já no Bafta, Marty Supreme perdeu as 11 categorias em que concorria. Michael B. Jordan, protagonista de Pecadores, filme com 16 indicações (recorde da história do Oscar), ganhou o The Actor Awards em 1º de março, último grande prêmio antes do fim das votações, no dia 5.
Caso o The Actor Awards houvesse premiado Chalamet, o favoritismo estaria consolidado. A vitória de Jordan embaralhou a disputa. Wagner Moura já tem o Globo de Ouro, enquanto o veterano Hawke tenta a primeira estatueta após quatro indicações.
“O Timothée perdendo força, a força do Wagner cresce. Só que ele ainda tem que desbancar o Michael B. Jordan e o Leonardo DiCaprio, que são atores indicados pelos filmes que têm mais indicação neste ano”, observa a cineasta Fernanda Schein.
Melhor Seleção de Elenco
A categoria de Melhor Direção de Elenco estreia em 2026, a primeira criada desde Melhor Animação, em 2001. A novidade torna o resultado imprevisível, já que não há histórico recente para comparação.
Gabriel Domingues concorre pelo trabalho em O Agente Secreto contra os responsáveis pelo elenco de Hamnet, Pecadores, Marty Supreme e Uma Batalha Após a Outra.
É importante lembrar que, não é o elenco em si que está em análise, mas o trabalho de selecionar atores ideais para cada papel, dos protagonistas aos figurantes, garantindo boas performances e coesão com a proposta de cada trabalho.
“Claro que O Agente Secreto tem uma seleção de elenco maravilhosa, uma direção de elenco maravilhosa”, opina Miriam. “Agora, como isso vai resultar comparando também com outros filmes que estão indicados em tantas outras categorias? É bem difícil de saber.”
Domingues reuniu nomes consagrados, como Wagner Moura e Maria Fernanda Cândido, ao lado de atores menos experientes. Alice Carvalho, intérprete de Fátima, recebeu elogios públicos de Ryan Coogler, diretor de Pecadores.
Um dos destaques é Tânia Maria, intérprete de Dona Sebastiana. A artesã potiguar estreou no cinema em Bacurau (2019) e foi citada pelo The New York Times como Melhor Atriz com Cigarro.
A avaliação divide opiniões entre especialistas. “Eu não vejo que o Brasil tem chance na categoria, mas a indicação já é o grande prêmio”, afirma o crítico de cinema Marcio Sallem. Já Schein demonstra mais expectativa: “Essa é a categoria onde eu tenho um pouco mais de expectativa, porque a gente não conhece muito bem quais são as diretrizes”.
Melhor Filme
A principal categoria segue historicamente concentrada em produções de Hollywood ou do Reino Unido. Em 2012, O Artista, produção francesa dirigida por Michel Hazanavicius, venceu o prêmio de Melhor Filme. Anos depois, em 2020, Parasita, de Bong Joon-ho, tornou-se o primeiro longa em língua não inglesa a conquistar a estatueta após 92 edições do Oscar.
O Agente Secreto marca a segunda indicação totalmente brasileira em Melhor Filme, após Ainda Estou Aqui, em 2025. Em Cannes, um dos maiores prêmios do cinema mundial, Wagner Moura venceu o prêmio de Melhor Ator e Kleber Mendonça Filho foi premiado como Melhor Diretor.
“Vejo que o Brasil não tem chances em Melhor Filme, que é um prêmio que deve ficar ou entre Uma Batalha Após a Outra com amplo favoritismo, muito em razão da figura do seu diretor, Paul Thomas Anderson, ou Pecadores, que corre por fora em razão tanto do sucesso que teve nas bilheterias e como também se perpetuou na opinião pública”, observa Sallem.
Produções estrangeiras aparecem com mais frequência entre os indicados desde que a organização ampliou para dez o número de concorrentes na categoria, a partir de 2021. Neste ano, também disputam o prêmio Uma Batalha Após a Outra, Bugonia, F1: O Filme, Frankenstein, Hamnet, Pecadores, Marty Supreme, Valor Sentimental e Sonhos de Trem.
Independentemente do resultado, a presença brasileira já sinaliza avanço do cinema nacional. “O Brasil foi indicado a quatro categorias, é muito legal, é um super reconhecimento. Mas no final das contas, mais do que a estatueta, mais do que a premiação em si, é o fato de ter mais gente vendo filme”, aponta Miriam.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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