O sistema de transporte coletivo de Rio Branco atravessa um momento decisivo. Com uma tarifa congelada em R$ 3,50 e um custo real de operação que já ultrapassa R$ 7,00, a capital acreana enfrenta o desafio de equilibrar as contas públicas sem sacrificar a mobilidade de mais de 1,1 milhão de passageiros por mês. Hoje, a prefeitura subsidia cerca de R$ 3,63 por passageiro, o que representa aproximadamente R$ 3,99 milhões por mês ou quase R$ 48 milhões por ano de recursos públicos. Mesmo assim, a população convive com linhas insuficientes, ônibus lotados nos horários de pico e veículos muitas vezes vazios em períodos de baixa demanda.
Parte do problema está no próprio modelo operacional. Ônibus grandes são eficientes em corredores de alta demanda, mas tornam-se caros e pouco eficientes em bairros periféricos e ruas estreitas. Um sistema mais flexível, com vans, tuk-tuks e mototáxis organizados em rede, poderia reduzir significativamente o custo operacional por passageiro e ampliar a capilaridade do transporte urbano, atendendo melhor as áreas de menor densidade.
Nos corredores principais e nos horários de maior movimento, vans de maior capacidade poderiam reforçar o transporte, enquanto tuk-tuks e mototáxis fariam a conexão dentro dos bairros. Com a redução do custo do sistema, parte dos recursos hoje consumidos pelo subsídio poderia ser direcionada para investimentos estruturais, como corredores exclusivos e melhorias nas vias. Considerando que Rio Branco gasta quase R$ 48 milhões por ano, seria possível transformar parte desse recurso em infraestrutura permanente, melhorando definitivamente a mobilidade urbana.
Rio Branco tem a oportunidade de transformar um serviço caro e ineficiente em uma verdadeira política de inclusão social, baseada no trabalho digno e na geração de renda para milhares de famílias. O debate não é apenas sobre transporte, mas sobre como utilizar de forma mais inteligente quase R$ 48 milhões por ano de recursos públicos. A cidade precisa de um modelo que leve as pessoas com eficiência, fortaleça a economia local e transforme mobilidade urbana em desenvolvimento social.
Marcello Moura
Empresário – Presidente da CDL Rio Branco
Líder do Movimento Cidadania Empreendedora
Fonte: Conteúdo republicado de ac24horas

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