Namorado induziu aborto e suicídio de estudante, diz pai da vítima

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Carolina Andrade Zar. Namorado induziu aborto e suicídio de estudante, diz pai da vítima - Metrópoles

A estudante de medicina Carolina Andrade Zar, de 22 anos, morta após suposto suicídio em Marília, no interior de São Paulo, em 15 de maio de 2025, teria sido estimulada a tirar a própria vida pelo então namorado. Segundo o pai da vítima, o advogado Fauez Zar Junior, o rapaz também forçou a jovem a abortar um filho do casal, no ano anterior.

Nesta semana, um laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que Carolina morreu após intoxicação aguda por arsênio. O caso foi registrado inicialmente como suicídio, mas a investigação agora apura possível aborto provocado e indução ao autoextermínio.

“Para eu chegar ao ponto de estar fazendo isso, é porque aguentei muita coisa calada”, disse no início da gravação de voz.

Namorado forçou aborto

Segundo os conteúdos, a estudante demorou cerca de duas semanas até conseguir contar ao namorado que estava grávida, pois eles estavam em cidades diferentes e o rapaz ignorava as tentativas de contato.

Quando contou, a reação do jovem foi perguntar se não se tratava de um golpe, sugerindo que Carolina estivesse interessada nos bens da família dele, que é dona de uma empresa em Garça, também no interior paulista.

A partir de então, o namorado passou a tentar convencer Carolina a realizar um aborto. As tentativas eram reiteradas. O próprio rapaz procurou métodos abortivos e comprou um medicamento capaz de interromper a gestação.

“Minha mãe faz misto pra mim e arruma minha cama até hoje. Eu não posso ter um filho”, disse o jovem, segundo o dossiê da estudante. Ele também teria ameaçado, por diversas vezes, tirar a própria vida, e chegou a sugerir que iria “jogar o carro contra um caminhão”.

Carolina, no entanto, revelou no dossiê que sonhava em ser mãe. “Ele sabia o quanto eu queria ser mãe, mas sempre dizia que se eu amava ele de verdade eu iria fazer isso [abortar] por nós e que isso salvaria a vida dele”, escreveu a jovem no documento.

Ela chegou a afirmar que pretendia fingir que tomaria o medicamento, mas que jogaria o remédio fora e, em seguida, sumiria da vida dele, criando o filho sozinha. “[Iria] falar pra ele me entregar o remédio que eu fazia sozinha, porque aí ele ia achar que eu tinha feito e eu jogava o negócio no vaso sanitário”, escreveu.

O rapaz não se convenceu, e reservou um quarto de hotel para realizarem o procedimento juntos. Segundo os relatos da estudante, o casal esperou cerca de 12 horas até ter certeza de que a medicação tinha cumprido o efeito esperado. Ela já estava com 12 semanas de gestação, e passou muito mal após a ingestão da pílula.

Nos dias seguintes, Carolina teve febre alta e constante, e apresentou enjoos, pressão baixa e mal-estar. Pelos relatos da jovem no dossiê, ela havia se arrependido de ter cometido o aborto e “queria o filho de volta”.

Abalada emocionalmente, ela passou a se automutilar e tentou cortar contato com o namorado, mas ele a procurou por outros números de telefone e diferentes perfis em redes sociais. O receio dele era que o caso viesse à tona.

Pai aponta indução ao suicídio

Cerca de duas semanas antes do suposto suicídio, o pai de Carolina soube do aborto. Segundo ele, ela passou os últimos momentos viva repetindo que “queria meu filho de volta, pai”. A jovem também dizia: “eu fui acreditar nele [namorado], mas deveria ter conversado com senhor”.

Na mesma época, a estudante de medicina enviou uma série de mensagens à sogra, relatando com detalhes tudo o que havia acontecido desde a descoberta da gravidez.

“Não estou aqui por vingança. Estou aqui porque a minha dor merece ser dita, porque o que aconteceu comigo não pode ser apagado como uma conversa excluída. E porque, no fundo, eu ainda acredito que você pode me ouvir de coração aberto como mulher”, disse à mãe do namorado, se referindo ao fato do rapaz ter ordenado que ela apagasse todas as mensagens entre o casal. No dossiê não há a resposta da mulher.

Carolina foi encontrada morta em 15 de maio do ano passado, após envenenamento. Para Fauez Zar, o autoextermínio foi induzido pelo rapaz. “O aborto ela jamais faria, até porque eu sempre quis ter um neto. Ela era filha única. Eu faço hemodiálise, portanto, minha expectativa de vida é incerta”, disse o advogado.

O pai da jovem tem acompanhado o que pode da investigação, já que o procedimento corre sob sigilo. “Meu desejo é fazer Justiça para inibir que outras famílias passem pelo que estou passando, pois muito embora nada vai trazer a Carolina de volta, eu devo ao menos tentar alertar e mostrar à sociedade o resultado das consequências de homens que agem dessa forma contra mulheres, que não são poucos”, declarou.

O caso é investigado pela Polícia Civil. A reportagem não localizou a defesa do namorado.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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