
A assembleia de clubes da Futebol Forte União (FFU) marcada para esta segunda-feira (16), em São Paulo, escancarou o desconforto entre dirigentes e reacendeu o debate sobre a autonomia dos associados dentro da estrutura da liga.
Formalmente, a FFU possui duas instâncias de governança. De um lado está o condomínio, formado por clubes e investidores, cuja gestão é conduzida por Gabriel Lima, contratado pela LiveMode, dona da CazéTV e agência que representa o investidor Sports Media. De outro, há a assembleia de clubes, composta pelas agremiações e presidida por Alessandro Barcellos, presidente do Internacional, que assina a convocação para a reunião de segunda-feira.
Na prática, o cenário é diferente.
Apesar dessa separação institucional e da assinatura de Barcellos na convocação, a reunião desta semana — que deveria ser um espaço de deliberação exclusiva dos clubes — foi de fato organizada pelo CEO do condomínio, Gabriel Lima. Foi o condomínio que disparou o convite para os clubes participarem do encontro. Os e-mails de Gabriel e do departamento jurídico do Condomínio constam no Editais de convocação da assembleia da associação FFU.
Veja:
E vai além: a reunião acontecerá justamente na sede da LiveMode, o que gerou ruído entre os clubes, já que discussões estratégicas acontecerão dentro da empresa que tem fortes interesses econômicos em todos os assuntos, minando a independência da assembleia de clubes.
Na pauta está a votação sobre a entrada do Grêmio na estrutura da liga, tema considerado sensível e controverso no ambiente da FFU.
Veja documento de convocação da assembleia:
FFU – Edital de Convocação AGE by Metropoles
Clubes ouvidos reservadamente relatam incômodo com a condução do processo.
Segundo dirigentes, há pedidos para que a reunião seja adiada para permitir maior debate sobre o tema. Alguns classificam a situação como “um escárnio”, justamente porque uma assembleia que deveria ser soberana entre os clubes está sendo organizada por quem representa o investidor.
O ambiente já vinha tensionado após uma carta divulgada por clubes da Série B em fevereiro deste ano.
No documento, no item “4 (veja acima)Conflito de interesse e desgaste institucional”, os dirigentes apontam preocupações com possíveis conflitos envolvendo investidores, a LiveMode e estruturas ligadas à comercialização e transmissão dos direitos da liga.
Os acontecimentos desta semana reforçaram a percepção entre os clubes de que decisões estratégicas da liga vêm sendo conduzidas sob controle absoluto da LiveMode e do investidor Sports Media — um cenário que, para esses dirigentes, enfraquece a autonomia dos clubes que motivou a criação do bloco.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis


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