
O relato de uma criança sobre o clima dentro de casa passou a integrar o inquérito que apura a morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrada com um tiro na cabeça no apartamento onde vivia com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, no Brás, região central de São Paulo.
Segundo depoimento prestado à Polícia Civil pela mãe de Gisele e avó da menina, o pai da criança — Jean, ex-companheiro da policial — foi buscá-la no apartamento no dia 17 de fevereiro, um dia antes de Gisele ser encontrada gravemente ferida na sala do imóvel.
De acordo com o relato, após deixar o apartamento do casal, a menina, de 7 anos, chegou à casa da família visivelmente abalada.
“Na terça-feira (17/02/2026), o pai de sua neta a buscou na casa de Gisele e a levou para sua casa. A criança teria chegado na casa dos avós muito abalada, chorando muito, pedindo para não voltar para a casa, pois disse que não aguentava mais as brigas de Geraldo com a mãe e os gritos do padrasto”.
O trecho consta no depoimento da avó da criança, Marinalva Vieira Alves de Santana, mãe da soldado Gisele.
Segundo ela, a neta também descrevia uma rotina doméstica marcada por tensão dentro do apartamento. Gisele e a filha costumavam permanecer juntas no mesmo quarto, enquanto o tenente-coronel ficava em outro cômodo do imóvel, disse.
“Agressões psicológicas”
A mãe de Gisele também descreve episódios de controle e vigilância atribuídos ao oficial. De acordo com ela, a filha comentava que sofria pressão constante do marido, que impunha restrições a comportamentos cotidianos.
“Gisele passou a queixar-se para a depoente sobre a agressividade de Geraldo. Dizia que tudo tinha que ser do jeito de Geraldo, que sofria agressões psicológicas com muita frequência, como por exemplo, proibição de usar salto alto, batom, perfumes”, disse Marinalva à polícia.
A mãe da soldado afirmou ainda que o comportamento do oficial era percebido também por pessoas próximas ao casal. “Se ela fosse ao banheiro, ele ia atrás”, acrescentou.
O dia da morte
Na manhã de 18 de fevereiro, Gisele foi encontrada com um tiro na cabeça na sala do apartamento onde vivia com o tenente-coronel.
Ela foi socorrida por equipes do Corpo de Bombeiros e levada pelo helicóptero Águia da PM ao Hospital das Clínicas, onde morreu horas depois em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo, conforme o atestado de óbito.
Moradores do prédio relataram ter ouvido um forte estrondo naquela manhã.
Investigação em andamento
O caso é investigado pela Polícia Civil como morte suspeita, enquanto a Corregedoria da Polícia Militar também apura denúncias envolvendo o relacionamento do casal.
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto figura como parte na investigação e sustenta, desde o início, a versão de que a esposa teria tirado a própria vida.
A defesa do oficial afirma que ele colabora com as autoridades e aguarda a conclusão das investigações para o esclarecimento completo dos fatos.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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