Nos últimos dias, alguns fatos muito relevantes aconteceram. O de maior repercussão foi a definição da chapa da situação – Mailza Assis + um do MDB a ser declarado, Gladson e Marcio Bittar comporão o pelotão de frente na raia do governo. Uma combinação que certamente exigirá muita saliva e jeito, para que antigas e recentes rusgas não perturbem o ambiente, que em disputas dessa natureza precisa estar bem azeitado.
Lembremos que o MDB é sócio do governo federal e certamente lá continuará, aliás, arrisca até ter um candidato em parceria com o Lula da Silva. Sem contar que, naquele grupo que por aqui manda, ou pensa que manda, ou manda dependendo da hora, tem gente que odeia Bolsonaro e vira o nariz para qualquer bolsonarista. Declarações públicas já várias vezes deixaram à mostra o ódio à direita. Como serão amansados para pedirem votos para Flávio Bolsonaro e bolsonaristas é uma incógnita. Nada que a perspectiva de poder e um lustro não resolva, me dizem os anos de janela.
Outro fato, este, decorrente do primeiro, é que o Tião Bocalom terá que vestir outra camisa. A do PL não lhe cabe no momento. Entre choramingos, despedidas e muxoxos, o nosso alcaide promete que, sendo assim, será candidato por outra sigla. Danem-se! o que não faltam são letrinhas agrupadas por aí em três ou quatro para recebê-lo. O Barão de Acrelândia, atualmente ocupando o Condado de Rio Branco, conta com sua revolucionária administração na capital e, obviamente, com o seu indissociável, porque não dizer também inefável, projeto “Produzir para Empregar”.
Curiosamente, Bocalom tem o apoio de muita gente do governo para ser candidato. Os grandões pensam, com razão, que a candidatura de Bocalom, chegando em terceiro, levará a eleição para o segundo turno e, neste momento, será todos contra o Alan Rick, que pelas pesquisas dificilmente estará fora. Já o prefeito, acredita piamente no que lhe dizem o espelho e a entourage, ou seja, que o cosmos conspira a seu favor e, por isso, ele mesmo é que estará no segundo turno, quando contará com o apoio dos senadores eleitos e do perdedor, no caso, a doce Mailza Assis. Ou seja, tem gente enganada, enganando e se enganando nessa história.
Outra notícia, antecipada neste domingo pelo jornalista L.C. Moreira Jorge, é que o atual presidente da APEX, Jorge Viana, entregou que será sim candidato ao Senado. Com isso, pode-se dizer que teremos seis corredores na partida para senado – Gladson Cameli, Marcio Bittar, Jorge Viana, Mara Rocha, Sérgio Petecão e Eduardo Veloso. Nada menos que cinco políticos, todos eles, já “passados na casca do alho” pretendem fazer companhia ao primeiro que, em tese, está tomando um tacacá na espreguiçadeira, apenas esperando o resultado. Uma corrida a ser definida cabeça a cabeça, diria o narrador.
Sobre o Jorge Viana, há que se considerar o seguinte. Assim como o PL, o PT pretende e precisa fazer o número máximo de senadores. Especialmente agora, que os escândalos do INSS e do Banco Master engolfando petistas de alto escalão, o partido do Lula precisará de muita força no Senado, onde se dá o engarrafamento de CPI’s e influências outras. O raciocínio é simples. Quem tem maioria faz o presidente do senado, que por sua vez abre ou põe cadeado na porteira dos inquéritos. No Brasil, o presidente do Congresso tem as chaves do céu e do inferno.
A candidatura de Jorge Viana corresponde, em certa medida, à do Marcio Bittar, que o PL nacional considera prioritária ao ponto de descartar a candidatura do Bocalom. É claro que isto será visto em campanha. Jorge já prepara um discurso e uma estética limpinha, tendente ao centro, sem bandeiras, camisas ou estrelas vermelhas. Com o azul já apropriado, o branco é a cor da vez. O passado já está guardado no armário. A Florestania? “O que é isso? Se vi, esqueci, foi um rio que passou em minha vida”. O negócio agora é com o exterior, China, trem, portos, o escambau.
Além dos adversários, o problema do Jorge Viana é a falta de palanque. O que fazer para não ser puxado para baixo por um candidato ao governo que não sai do chão? Como formar chapas de federal e de estadual com ampla penetração e apoio popular, sem lideranças ao alcance ou dispostas ao sacrifício? Como se descolar dos escândalos petistas que só aumentam?
Cá entre nós, creio que o que está dando corda ao Jorge é a multiplicidade dos adversários. Com seis candidatos disputando 200% dos votos, quanto mais equilibradas as forças do inimigo, mais chance para ele. Enquanto cinco se engalfinham em busca do eleitor de direita, Jorge junta sozinho os eleitores de esquerda, que não são majoritários, mas são muitos, hoje enrustidos e enfiados no próprio governo.
E o senador Alan Rick? Bem, esse ainda não escolheu companheiro(a) de chapa e aguarda os desdobramentos. Como não conta com o poder, faz o percurso que seus meios permitem, procurando atrair apoios, descontentes e formar chapas competitivas. Se coloca como uma espécie de Neemias (leiam a respeito). Sambalates e Tobias, há por aí.
Para completar o quadro teremos que aguardar alguns dias, até termos a última definição do Bocalom e as indicações de vices nas chapas que disputam o palácio Rio Branco. Em pouco tempo saberemos.
Valterlucio Bessa Campelo escreve semanalmente nos sites AC24HORAS, DIÁRIO DO ACRE, ACRENEWS e, eventualmente, no site Liberais e Conservadores do jornalista e escritor PERCIVAL PUGGINA, no VOZ DA AMAZÔNIA e em outros sites. Seu último livro, “Arquipélago do Breve”, encontra-se à venda através de suas redes sociais e do e-mail valbcampelo@gmail.com.
Fonte: Conteúdo republicado de ac24horas

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