
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, levantou a possibilidade de que a esposa, a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, poderia ter apertado e machucado o próprio pescoço, antes de ser encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde vivia com o marido, no Brás, centro de São Paulo.
Segundo Neto, a Gisele conhecia os procedimentos policiais e poderia ter feito isso para incriminá-lo. O tenente-coronel sustenta a versão de que a PM tirou a própria vida.
“Será que a própria Gisele não apertou o pescoço com a mão, já conhecedora de procedimentos policiais, sabendo: ‘Ah, eu vou fazer marcas, depois vou me matar para tentar incriminá-lo’”.
As afirmações do oficial foram dadas à TV Record. Na entrevista, ele também repete uma outra versão, a de que as marcas encontradas no pescoço da esposa possam ter sido causadas pela filha de sete anos dela, visto que, segundo o homem, a criança ficava agarrada no pescoço da mãe quando se cansava de andar.
Para se defender, o tenente-coronel também afirmou que rói unha e que, por isso não seria o autor das lesões. Um laudo do Instituto Médico-Legal (IML) aponta marcas de unha no pescoço da mulher. “Nem unha eu tenho”, disse na entrevista.
A Polícia Civil investiga o caso como morte suspeita, enquanto a Corregedoria da Polícia Militar também apura denúncias envolvendo o relacionamento do casal.
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto figura como parte na investigação e sustenta, desde o início, a versão de que a esposa teria cometido suicídio.
A defesa do oficial afirma que ele colabora com as autoridades e aguarda a conclusão das investigações para o esclarecimento completo dos fatos.
O dia da morte
Família da PM diz que filha reclamava do padrasto
De acordo com o relato da mãe da PM Gisele, Marinalva Vieira Alves de Santana, após deixar o apartamento do casal, a menina, de 7 anos, filha da policial, chegou à casa da família visivelmente abalada.
“Na terça-feira (17/2/2026), o pai de sua neta a buscou na casa de Gisele e a levou para casa. A criança teria chegado à casa dos avós muito abalada, chorando muito, pedindo para não voltar para a casa, pois disse que não aguentava mais as brigas de Geraldo com a mãe e os gritos do padrasto.”
O trecho consta no depoimento de Marinalva Vieira Alves de Santana, avó da criança e mãe da soldado Gisele.
Segundo ela, a neta também descrevia uma rotina doméstica marcada por tensão dentro do apartamento. Gisele e a filha costumavam permanecer juntas no mesmo quarto, enquanto o tenente-coronel ficava em outro cômodo do imóvel, disse.
“Agressões psicológicas”
A mãe de Gisele também descreve episódios de controle e vigilância atribuídos ao oficial. De acordo com ela, a filha comentava que sofria pressão constante do marido, que impunha restrições a comportamentos cotidianos.
“Gisele passou a queixar-se para a depoente sobre a agressividade de Geraldo. Dizia que tudo tinha que ser do jeito de Geraldo, que sofria agressões psicológicas com muita frequência, como, por exemplo, proibição de usar salto alto, batom, perfumes”, disse Marinalva à polícia.
A mãe da soldado afirmou ainda que o comportamento do oficial era percebido também por pessoas próximas ao casal. “Se ela fosse ao banheiro, ele ia atrás”, acrescentou.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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