
Enquanto a soldado Gisele Alves Santana agonizava na sala de casa, após ser ferida com um tiro na cabeça, o WhatsApp dela foi aberto e a troca de mensagens com uma amiga íntima visualizada, às 8h do dia 18 de fevereiro. Três minutos antes, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto acionou a Polícia Militar e, às 8h05, os bombeiros. Ele, além de pedir socorro, também afirmou que a esposa havia cometido suicídio (ouça abaixo).
A prisão dele foi pedida, nesta terça-feira (17/03), a pedido da Polícia Civil, após investigação indicar que a soldado foi vítima de assassinato. No momento em que foi baleada na cabeça, somente o oficial da PM estava no apartamento.
A visualização do aplicativo de mensagem de Gisele (veja galeria abaixo) foi notado por uma amiga que a conhecia desde quando a soldado tinha 15 anos.
Ambas trocaram mensagens pela última vez em dezembro e a amiga, uma professora de educação infantil, telefonou para Gisele na virada do ano, quando falou pela última vez com a PM.
Foi para essa amiga que a Gisele enviou áudios — revelados pelo Metrópoles no dia do crime — nos quais a soldado, de forma premonitória, afirmava acreditar que não iria viver por muito tempo.
“Não me vejo velhinha, vivendo muitos anos. Eu digo sempre que queria ver a minha filha se formar, com quem ela vai namorar”, disse Gisele, referindo-se à filha, de 7 anos, fruto de um relacionamento anterior.
“Bravo” com Gisele
A criança, como mostrado pelo Metrópoles, relatou à avó sentir medo do tenente-coronel, alegando que ele era “bravo” com Gisele.
Segundo depoimento prestado à Polícia Civil pela mãe de Gisele e avó da menina, o pai da criança – Jean, ex-companheiro da policial – foi buscá-la no apartamento, no dia 17 de fevereiro, um dia antes de Gisele ser encontrada gravemente ferida na sala do imóvel.
Ela acrescentou que a neta também descrevia uma rotina doméstica marcada por tensão dentro do apartamento. Gisele e a filha costumavam permanecer juntas no mesmo quarto, enquanto o tenente-coronel ficava em outro cômodo.
Ouça ligação para 190:
Marcas no pescoço
Os primeiros laudos feitos após a morte de Gisele, mostrados pela reportagem, indicam a presença de lesões no rosto e no pescoço da policial, compatíveis com pressão exercida por dedos e unha, conhecidas na medicina legal como “estigmas digitais”.
Segundo o laudo, havia quatro marcas arredondadas compatíveis com pressão de dedos na região da mandíbula e do pescoço, além de uma lesão superficial com formato de meia-lua, típica de unha. Em entrevista à TV Record, o oficial sugeriu que as lesões teriam sido feitas pela própria Gisele.
Em exame complementar, também obtido pela reportagem, peritos reforçaram que as lesões na face e no pescoço são contundentes e compatíveis com pressão digital, ou seja, com compressão manual.
Essas marcas levantaram a hipótese de que a soldado possa ter sido esganada antes do disparo, provocando a suspeita de que ela teria desmaiado pouco antes de ser baleada.
Os peritos também encontraram o projétil alojado no couro cabeludo do lado esquerdo, após atravessar o crânio e provocar extensa fratura óssea.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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