
O Banco Central (BC) iniciou o ciclo de corte de juros no Brasil, mas, ainda assim, manteve o pé no freio. Essa é a avaliação de analistas de mercado sobre a decisão anunciada pelo BC, nesta quarta-feira (18/3), de reduzir a taxa básica brasileira, a Selic, de 15% para 14,75% ao ano.
Para Pablo Spyer, conselheiro da Associação Nacional das Corretoras (Ancord), o comunicado preparado para divulgar a medida traz um recado claro ao mercado: “O Copom (Comitê de Política Monetária do BC) iniciou o ciclo de cortes, mas fez isso com extrema cautela, sem se comprometer com o ritmo daqui para frente”.
Para Spycer, a redução da Selic para 14,75% “reconhece” que a política monetária está funcionando. Ou seja, que a atividade econômica perde força. “Mas o tom do comunicado mostra que o trabalho não terminou”, diz.
“O ambiente externo piorou de forma relevante. A escalada dos conflitos no Oriente Médio elevou o preço das commodities, especialmente o petróleo, aumentando a incerteza global e pressionando as condições financeiras”, afirma o analista. “Esse cenário exige ainda mais prudência de países emergentes. Ao mesmo tempo, no Brasil, a inflação segue acima da meta, as expectativas continuam desancoradas e a inflação de serviços mostra resistência, mantendo o Banco Central em alerta.”
Números piores
Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, observa que os números do cenário de referência pioraram em relação a janeiro, na última reunião do Copom. “A projeção do IPCA para 2026 saltou de 3,4% para 3,9%, enquanto a do horizonte relevante — terceiro trimestre de 2027 — subiu de 3,2% para 3,3%, afastando-se ainda mais da meta”, diz.
Para ele, o destaque negativo ficou com os preços administrados para 2026, cuja projeção avançou 1,3 ponto percentual, para 4,3%, refletindo o choque em combustíveis e energia provocado pelo conflito no Oriente Médio.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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