
O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), se emocionou ao fazer um discurso em homenagem aos nove anos da entrada do ministro Alexandre de Moraes na Corte. Depois de lembrar a atuação de Moraes contra os atos antidemocráticos de 8 de Janeiro, Gilmar ressaltou a atuação do colega, em 2022, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e as decisões do ministro para preservar as eleições.
Na homenagem, Gilmar elogiou o colega: “Vossa Excelência evitou que caíssemos em um abismo autoritário, onde provavelmente ainda estaríamos vivendo tempos sombrios”, ressaltou. E se emocionou ao dizer que as futuras gerações reconhecerão Moraes. Veja:
O decano analisou que Moraes não se deixou abater mesmo diante das diversas reações às decisões tomadas ao longo da trajetória do ministro na Corte:
“Permitam-me, portanto, fazer uma breve digressão sobre essa trajetória, marcada por decisões de alcance histórico e por um ônus pessoal que pouquíssimos magistrados, em qualquer lugar do mundo, conseguiriam suportar“, disse Gilmar.
Gilmar, ao lembrar dos atos de 8 de janeiro, ressaltou que o ataque físico às sedes dos Três Poderes, em Brasília, foi o ponto culminante de todo o processo de “erosão democrática que vinha sendo forjado ardilosamente”.
A intenção do dito “vandalismo” era inequívoca: criar o caos, forçar uma ruptura, abrir caminho para o que, como ficaria demonstrado, estava planejado há tempos”, ressaltou Gilmar.
O decano ainda emendou: “Coube ao Ministro Alexandre de Moraes conduzir, como relator, o julgamento das centenas de réus pelos atos antidemocráticos daquele dia”.
Gilmar ainda lembrou que, em julho de 2025, o governo dos Estados Unidos anunciou a aplicação da Lei Magnitsky ao a Moraes, com o bloqueio de seus ativos no exterior e a proibição de entrada no território norte-americano. Em setembro, as sanções foram estendidas à sua esposa.
“Mas o Ministro Alexandre respondeu a mais essa afronta com a dignidade que lhe é característica: declarou que ignoraria as sanções e continuaria no exercício pleno de sua função”.
Tempos de complexidade
O presidente do STF, ministro Edson Fachin também fez um discurso pelo aniversário de STF de Moraes. Fachin elogiou o colega e ressaltou que o país vive “tempos de tamanha complexidade institucional, política e social”. O presidente da Corte agradeceu a participação de Moraes na promoção e efetivação dos direitos fundamentais da população brasileira e para o fortalecimento do STF.
Para o presidente do STF, o compromisso chama-se República. “A República é uma ideia concreta: ser livre não é apenas não sofrer interferência, mas não estar sujeito à vontade arbitrária de outro. A lei, quando devidamente estruturada, não é uma forma de dominação, mas o seu contrário: uma proteção contra o poder arbitrário”, afirmou Fachin.
Ele ainda completou: “Em uma república, os canais pelos quais os cidadãos escolhem seus governantes serão sempre protegidos e quem age contra a ordem democrática responderá pelo que fez, não por revanchismo, mas porque responder perante a lei é o que se deve a uma sociedade que se governa a si mesma”.
Ao citar exemplos da atuação de Moraes, Fachin ainda agradeceu ao ministro pela contribuição na atuação como vice-presidente do STF.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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