Em entrevista ao Bar do Vaz, na tarde desta quinta-feira (19), o ex-governador do Acre e atual presidente da Apex-Brasil, Jorge Viana (PT), falou sobre sua trajetória política, os desafios do Estado e os motivos que o levaram a anunciar a pré-candidatura ao Senado nas eleições de 2026.
Jorge Viana fez uma avaliação crítica sobre a situação do Acre, descrevendo o Estado em declínio e marcado pela insatisfação da população. Segundo ele, o sentimento de desânimo não é apenas pessoal, mas reflete o momento vivido pelo Estado.
“Tem coisa dando errado aqui no Acre, vivendo uma situação triste, se acabando, sem brilho. Muita gente indo embora. Parece que as pessoas estão gostando, mas o povo do Acre não gosta disso. O povo do Acre é um povo alegre”, pontuou.
Questionado sobre o receio de disputar o Senado, Jorge afirmou: “É normal que perguntem, mas medo faz parte do ser humano. Eu não tenho medo de disputar com ninguém. Pelo contrário, me sinto desafiado. Meu objetivo não é derrotar alguém, é trazer um projeto para o Acre. O senador Márcio foi relator do orçamento secreto; olha como estão as estradas. Agora está melhorando com o governo do presidente Lula, mas ainda há muito a fazer. Não é medo, é desafio”.
O ex-governador comentou ainda sobre o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para disputar as eleições. “Ele me chamou e disse que preciso ser candidato ao Senado no Acre. Para ajudar o Acre, sente falta de interlocução aqui. Conversei com minha família e lideranças e acho que posso ajudar o Acre de verdade”, destacou.
O pré-candidato descartou que o nome do presidente Lula possa ser implicado na fraude do Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro: “Foi o superintendente da Polícia Federal, nomeado pelo presidente Lula, e o presidente do BC colocado pelo presidente Lula que acabou com a maior fraude bancária, eu estou falando, mais de R$ 50 bilhões de fraude”, pontuou.
Durante a entrevista, Viana falou sobre sua maturidade e postura política, afirmando que busca convencer as pessoas a mudar, enquanto equilibra saúde e carreira. Ele destacou sua trajetória executiva e legislativa.
“Quando você ocupa espaço público, vira um personagem. Eu nunca fui carreirista. Saí da prefeitura, fui para o governo, trabalhei por oito anos, depois fui para o Senado. Adoro trabalhar, gosto mesmo. Passei quatro anos na iniciativa privada, depois oito anos no Senado. Sempre buscando fazer o certo, criando um ambiente sem barreiras, sem muros, apesar das fake news e da guerra nas redes sociais. Fiquei quatro anos como vice-presidente do Senado, ganhei oito anos o prêmio de melhor senador. Desde que eu saí, nenhum político do Acre, nenhum senador, nenhum deputado federal ficou entre os 100 cabeças do Congresso”, disse.
Sobre sua relação com a população, Viana afirmou buscar proximidade e transparência, mesmo diante das dificuldades impostas pelas redes sociais e pela desinformação: “Procuro criar um ambiente sem barreiras, sem muros. Mas, óbvio, nós estamos num mundo novo e tem muita fake news, tem muita guerra nessas redes sociais, que é complicado. Às vezes a pessoa nem vê, nem procura saber e xinga. Nem por um lado, nem por outro, isso não é bom”, avaliou.
Quanto à campanha eleitoral e financiamento, Viana criticou a prática de venda de emendas e defendeu maior transparência. “Se tiver que ter essa montanha de dinheiro, eu estou fora. Mas eu acho que a gente precisa ter o dinheiro necessário. Tem político aí que vai ser candidato e já está vendendo as emendas. Eu gosto de organização, uma campanha planejada. Estou com expectativa de ter pelo menos oito partidos na nossa aliança. Não estou preocupado com o negócio de esquerda ou direita, estou preocupado com o Acre e em fazer a coisa certa”, avaliou.
Além da política eleitoral, Viana abordou temas como segurança, infraestrutura e desenvolvimento no Acre. Ele criticou o aumento da violência, especialmente contra mulheres, e destacou seu histórico de combate à criminalidade e de investimentos em infraestrutura e economia local:
“Hoje, é inaceitável essa brutalidade da violência contra as mulheres. O Acre é a capital do Brasil de violência contra a mulher. Com essa bagagem, eu acho que posso ajudar meu Estado. Sou radicalmente contra esse mercado de venda de emendas, parlamentar se metendo a ser prefeito. O prefeito é prefeito, o governador é governador. Se quer fazer, vai lá ser prefeito ou governador”, pontuou.
Viana destacou sua experiência à frente da Apex-Brasil e comentou sobre a formatação e a estratégia eleitoral para 2026. “Meu trabalho é trabalhar com a promoção do Brasil no mundo, e deu muito certo. Temos o calendário do dia 4, que é a desincompatibilização. Queremos eleger pelo menos dois deputados federais e três estaduais. Fazer uma boa votação para o presidente Lula. Quem quer tudo sem poder termina com nada sem querer”, destacou.
Por fim, Jorge Viana minimizou as declarações do ex-aliado e ex-prefeito de Rio Branco, Marcus Alexandre, que admitiu que a relação estava desgastada com Jorge Viana. O presidente da Apex-Brasil afirmou que buscará uma conversa com Marcus Alexandre para pedir apoio em 2026. “E quando ele foi sair [partido], eu falei a ele, pô, eu sou contra você sair do PT, mas nunca tive uma alteração de palavra com ele. Nunca tive uma discussão. Nunca, nunca. Quando ele foi ser candidato novamente à Prefeitura, eu falei que eu não era muito favorável dele sair do PT, mas que eu compreendi. Eu fui um dos que compreendiam. Ele disse, sai de todo mundo. Então fui. E desde então, sempre recoloquei para ajudar. Eu procurei ajudar tudo o que eu pude na última eleição de prefeito porque ele seria muitas vezes melhor do que esse atual prefeito [Bocalom], que tomará que saia agora porque o Rio Branco estaria ali em boas mãos. A única coisa que eu vou fazer, é ir atrás dele e de outras pessoas, todas que trabalharam com a gente, porque eu vou pedir, não custa nada pedir apoio”, finalizou.
Fonte: Conteúdo republicado de ac24horas

Deixe um comentário