Ozempic: fim da patente gera enxurrada de pedidos para novos remédios

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Pessoa aplicando insulina com um dispositivo semelhante a uma caneta, sentada. A imagem retrata o autocuidado do diabetes, a rotina e hábitos saudáveis. Metrópoles

Termina nesta sexta-feira (20/3), no Brasil, a exclusividade da semaglutida pela indústria farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy, ambas canetas emagrecedoras com a mesma substância, em diferentes concentrações. A medida permitirá que outras empresas desenvolvam remédios com a substância.

Com a queda da patente da semaglutida, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já recebeu 17 pedidos para a produção de semaglutida. Oito deles estão em análise (sete de medicamentos sintéticos e um de droga biológica, como são as canetas de Ozempic e Wegovy). Nove outros aguardam o início da análise.

A semaglutida é um medicamento análogo ao receptor GLP-1. Ela imita e potencializa o efeito de um hormônio natural produzido pelo intestino. Com isso, tira a fome, retarda o esvaziamento do estômago e auxilia na regulação da glicose.


Tratamento para diabetes e emagrecimento


Movimentação de mercado

A expectativa é que haja três autorizações da Anvisa por semestre. Os pedidos em fase mais avançada são dos laboratórios Ávita Care e EMS. Analistas do mercado consideram possível lançamentos em julho e, com isso, espera-se uma diminuição do preço entre 30% e 40%.

A própria Novo Nordisk e sua concorrente a americana Eli Lilly, fabricante do Mounjaro (tirzepatida), cuja patente não caiu, têm reduzido seus preços no que os especialistas veem como uma resposta à movimentação do mercado.

A Novo reduziu seus preços em até 29,6%, em algumas dosagens. Já o Mounjaro, cujo preço pode beirar os R$ 3 mil, nas doses mais elevadas, tem descontos em programas do laboratório.

Apesar disso, o fim da patente pode facilitar a incorporação do medicamento ao SUS, ao reduzir o custo unitário e melhorar a relação custo-efetividade, um dos principais critério da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).

Há discussões e consultas públicas em andamento sobre o uso da semaglutida no tratamento de obesidade e diabetes pelo SUS. A inclusão no sistema público, no entanto, depende de análises de eficácia, segurança, custo-benefício e impacto orçamentário.

O mais notável e generalizado efeito adverso das canetas é o custo muito alto — passa facilmente de R$ 1 mil mensais. O preço inviabiliza ou não permite a continuidade do uso para a maioria das pessoas que precisam do medicamento. Médicos dizem que muita gente que para de usar o faz porque não consegue mais pagar.

Ciclo natural

Procurada pelo Metrópoles, a Novo Nordisk afirmou que o fim da patente faz parte do ciclo natural de qualquer inovação farmacêutica e que a companhia já se preparava para esse novo cenário.

“O encerramento de uma patente é uma etapa natural no ciclo de vida de qualquer inovação. A empresa está preparada para atuar com solidez neste novo contexto”, informou a companhia.

Segundo a farmacêutica, a estratégia continuará baseada em investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novos tratamentos para doenças crônicas.

“A inovação segue sendo um dos pilares centrais da companhia, com um portfólio de medicamentos transformadores e um pipeline robusto que pode gerar novos avanços no cuidado de doenças crônicas graves”, diz o comunicado.

A empresa também destacou que o Brasil segue como um mercado estratégico. A fábrica da companhia em Montes Claros, no estado de Minas Gerais, responde por cerca de 25% da produção mundial de insulinas da Novo Nordisk e deve ampliar a produção nacional de medicamentos injetáveis nos próximos anos.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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