
Uma ala dentro do grupo de Guilherme Boulos no PSol passou a circular uma nota nesta sexta-feira (20/3) fazendo inúmeras críticas à possível ida do ministro da Secretaria-Geral da Presidência para o PT. Segundo o texto, Boulos teria comunicado na noite dessa quinta-feira (19/3) sua saída do partido para a coordenação da Revolução Solidária, vertente da qual faz parte no PSol.
A nota afirma que Boulos teria usado a polêmica da federação com o PT, proposta defendida por seu grupo e derrotada no Diretório Nacional do PSol, como um pretexto para justificar sua transferência para o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Boulos decidiu em algum momento entre final de novembro e início de dezembro que deveria ir para o PT. Ainda em dezembro, já negociou condições para a Natália Boulos disputar a eleição no PT. Esses detalhes foram negociados com Kiko Celeguin presidente do PT -SP em reunião na Praia Grande no final de dezembro”, diz o texto, que tem circulado em grupos do WhatsApp de parlamentares do PSol.
“Mas pegava muito mal sair assim, a seco. Era necessário construir uma narrativa. Tanto para ter uma explicação pública, quanto para arrastar o conjunto ou a maior parte da Revolução Solidária. A proposta de Federação com o PT foi encomendada com esse objetivo. Criar uma polêmica, transforma-la em crise, perder no Diretório Nacional do Psol e com base nisso sair”, afirma ainda o grupo.
Em nota, a assessoria de Boulos reagiu e chamou o movimento de “desespero”. “O movimento Revolução Solidária está discutindo internamente seus rumos políticos. Lamentamos que uma parte do PSol tenha decidido se apequenar ao divulgar uma carta apócrifa, o que revela oportunismo e desespero”, afirmou o ministro.
Desde a derrota na tentativa de levar o PSol a uma federação com o PT, Boulos e seus aliados do Revolução Solidária, como a deputada Érika Hilton, passaram a ser especulados no PT. Na noite dessa quinta-feira (19/3), o ministro esteve presente no evento do partido que oficializou a pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo. O presidente Lula estava presente ao lado de outros ministros.
“Boulos deixou o projeto de construir base social através do PSol para tentar por dentro do PT ser o escolhido por Lula. Para isso provocou esta crise, que não interessa ao PSol, não interessa ao PT, não interessa a Lula, não serve a Erika Hilton, que se sair do PSol perde de ofício a presidência da Comissão da Mulher além de perder parte do seu eleitorado que a apoia dentro do espaço político do PSol”, diz o texto apócrifo.
As críticas seguem de forma ácida e com tons de ironia. “Boulos vai para o mais perto de Lula possível. E não é para a vaga do Catalão, conhecido garçom do Palácio da Alvorada, é para a CNB (Construindo um Novo Brasil), corrente de Lula, Gleisi, mas também de Quaquá, dos Tatto e outros”.
Em outro trecho, diz que a militância da Renovação Solidária foi tratada como gado, “sabendo mais pela imprensa e pelas redes sociais do que por canais internos. As informações circulavam por camadas conforme o grau de confiança em conversas bilaterais”.
“Agora, parlamentares e pré-candidatos são pressionados a ir para o PT. Promete-se mundos e principalmente fundos. Os fundos para as campanhas, os mundos para os não eleitos na forma de cargos no possível futuro governo Lula. É nesses termos que se dá a disputa. Desde dezembro que o bicho já tinha cauda de jacaré, couro de jacaré e cabeça de jacaré. Ontem o jacaré foi apresentado à Coordenação Nacional da RS”.
O texto ainda finaliza com um pedido aos aliados de Boulos. “Apelamos aos militantes do PSol ainda na Revolução Solidária a romperem com a corrente, ficarem no PSol e se reorganizarem para enfrentar esta crise e se somarem a todos que no PSol lutam para reafirmar o nosso projeto de partido e para reeleger Lula”.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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