
Vigilantes do Centro Pop de Taguatinga passaram a viver apuros durante o trabalho após o início da greve de parte dos servidores da Secretaria de Desenvolvimento Social do Distrito Federal (Sedes-DF). Os funcionários da unidade localizada na QNF vêm sendo xingados e ameaçados, como mostram as imagens abaixo.
As imagens, registradas entre quarta e sexta-feira (20/3), mostram homens em situação de rua fazendo ameaças aos vigilantes do Centro Pop de Taguatinga. Eles filmam a cena visando a própria proteção. Um dos rapazes chega a guardar uma faca na cintura enquanto argumenta com o funcionário.
“Você não vai abrir por quê? Abre aí, parceiro”, pede o homem em situação de rua antes de guardar a faca.
Em outro trecho, um homem cogita invadir a unidade. Depois, um rapaz discute com um vigilante: “Tu é comédia, parceiro”, diz.
As imagens continuam. Os homens xingam os vigilantes de “alma sebosa” e “cabeça de baleia”, entre outras ofensas e ameaças. “No dia que eu te pegar, vou estourar tua cara”, promete um deles.
As pessoas que costumam ser atendidas no local também foram flagradas rasgando e arremessando sacos de lixo no meio da rua, em frente ao portão.
Greve
O protesto dos frequentadores ocorre porque os serviços prestados pelo Centro Pop ficaram comprometidos nos últimos dias desde que servidores da Sedes-DF, que administra a unidade, anunciaram greve, em 10 de março. O Sindicato dos Vigilantes do DF (Sindesv-DF) afirma que, nesta sexta-feira (20/3), por exemplo, apenas um funcionário foi ao local para servir café da manhã e almoço à população. As refeições deste sábado (21/3) estão comprometidas.
“Nessa sexta-feira, tinha um servidor distribuindo marmita, mas, no fim de semana e na próxima segunda-feira (23/3), não vai haver nada lá, nem café da manhã, almoço, nem janta… nada”, afirma o diretor de comunicação do Sindesv-DF, Gilmar Rodrigues. “A situação é caótica”, define.
“As pessoas em situação de rua não entendem a greve, se sentem prejudicados e acabam agindo com violência. A situação é muito crítica”, avalia Gilmar.
A curto prazo, o diretor do Sindesv-DF pede apoio da Polícia Militar do DF (PMDF) até que a questão envolvendo a greve seja resolvida pela Sedes-DF. “Enquanto a greve continuar, a melhor saída é manter uma viatura com quatro policiais na frente do Centro. Não tem jeito. Se não fosse a Polícia Militar nessa sexta-feira, a situação teria ficado pior”.
O que pedem os servidores
Os servidores da Sedes-DF que optaram pela greve protestam por mudanças nas gratificações recebidas e também pelo andamento do concurso público para a pasta.
Uma das principais reivindicações é a conversão da Gratificação de Titulação (GTIT) em Gratificação de Desempenho da Assistência Social (GHDAS). O Sindicato dos Servidores da Assistência Social e Cultural (Sindsasc) afirma que, atualmente, há uma discriminação contra os servidores.
Na Gratificação de Titulação, adotada atualmente, o servidor é pago pela sua formação acadêmica. O Sindsasc busca a mudança para que o adicional seja baseado no desenvolvimento do trabalho executado.
“No caso de um servidor que trabalha em situação de total periculosidade, como nos dois Centros Pop, por que esse servidor não tem direito de receber a gratificação que é concedida a quem trabalha na Procuradoria?! Ambos estudaram para ter uma pós-graduação. A diferença é que um trabalha com pessoas em situação de rua, e outro trabalha com procuradores”, explica a entidade.
Quanto à nomeação de servidores, o Sindsasc luta para que a banca organizadora do próximo concurso da Sedes seja logo contratada. A pasta autorizou um certame para 2026, com previsão de 1.197 vagas.
Como funciona o Centro Pop
O Centro Pop é um local para atendimento a pessoas em situação de rua. Não é um abrigo, mas sim um ponto de apoio para quem sobrevive nas ruas.
Atualmente, há dois no DF, sendo um em Taguatinga, e outro, na Asa Sul. A primeira unidade tem capacidade para atender até 100 pessoas por dia. Ambas funcionam das 7h às 18h, diariamente.
Cada Centro Pop oferece café da manhã, almoço e lanche, além de vestiários para tomar banho, itens de higiene pessoal e espaços para guarda de pertences.
O espaço também presta informações, atendimento psicossocial e acesso a benefícios e programas socioassistenciais. O cidadão que vive em situação de rua pode usar os endereços dos centros pop como referência quando precisar de um comprovante de residência.
As unidades ofertam atendimentos individuais e coletivos, oficinas, atividades de convívio e socialização, além de ações que incentivem o protagonismo e a participação social.
O que diz a Sedes-DF?
O Metrópoles tentou contato com a Sedes-DF, que administra os centros pop da capital, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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