
Em depoimento à Polícia Federal (PF), o ex-diretor de fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, relacionou o nome do atual presidente da Febraban, Isaac Sidney, em uma possível articulação envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Sidney nega.
Segundo o relato, teria ocorrido um arranjo prévio relacionado à venda de uma fazenda, que foi negociada por R$ 3 milhões, em meio a movimentações que hoje são analisadas no contexto do caso Banco Master.
De acordo com Paulo Sérgio, no início de 2019, ele comentou com hoje o atual chefe da Febraban, sobre o interesse em vender uma fazenda. Ainda segundo sua versão, o tema teria surgido em conversas informais, e meses depois o nome de Vorcaro apareceria como possível comprador do imóvel.
A cronologia dos fatos, no entanto, passou a ser um dos principais pontos de contestação da defesa de Sidney. Isso porque, segundo o relato de Paulo Sérgio, Vorcaro só teria feito contato em novembro de 2019, cerca de nove meses após a suposta menção inicial sobre a venda.
A negociação teria sido concluída apenas em janeiro de 2020, enquanto a formalização definitiva, por meio de escritura, ocorreu em 2021.
A própria defesa de Paulo Sérgio também contesta a existência de qualquer intermediação. Em declarações, o advogado do ex-diretor afirma que não houve indicação de Vorcaro por parte de Isaac Sidney e que não há elementos que sustentem a tese de um arranjo prévio.
Em nota, a Febraban segue a mesma linha e afirma que a cronologia dos fatos “afasta por completo” a possibilidade de participação de seu presidente.
Segundo a entidade, Isaac Sidney manteve reuniões com Paulo Sérgio apenas no início de 2019, quando ainda atuava na advocacia privada, e todos os encontros foram registrados na agenda oficial do Banco Central.
A Febraban também destacou que, à época em que Vorcaro teria procurado o ex-diretor, o atual presidente da entidade já não mantinha vínculo profissional com o escritório onde trabalhava anteriormente.
Quem é Paulo Sérgio
Paulo Sérgio Neves de Souza foi diretor de Fiscalização do BC, área responsável por supervisionar instituições financeiras e identificar irregularidades no sistema bancário. O cargo é considerado um dos mais sensíveis da autoridade monetária, por envolver o acompanhamento direto da saúde financeira de bancos e outras entidades reguladas.
Após deixar o banco, ele passou a ser citado em investigações relacionadas ao colapso de instituições financeiras privadas. No caso envolvendo o Banco Master, seu nome aparece em depoimentos e apurações que buscam entender a atuação de diferentes agentes antes da deterioração das empresas.
Segundo as investigações, o ex-diretor do BC atuava como um consultor de Vorcaro dentro da instituição, realizando atividades como a revisão de minutas de documentos do Master antes de serem protocolados e emissão de alertas informais sobre movimentações identificadas pelos sistemas de monitoramento da instituição.
Caso Master
O caso Banco Master ganhou repercussão após a intervenção e posterior liquidação de instituições ligadas ao grupo por parte do Banco Central. A medida foi adotada diante de indícios de irregularidades, inconsistências contábeis e riscos à solidez das operações.
As investigações apontam para problemas que vão desde gestão inadequada até suspeitas de fraudes, levando o regulador a agir para evitar efeitos mais amplos no sistema financeiro.
O episódio mobilizou autoridades, investidores e o mercado, por envolver cifras elevadas e potenciais impactos sobre a confiança no setor bancário.
Além disso, o caso trouxe à tona discussões sobre a eficácia da supervisão do BC e a atuação de agentes públicos e privados.
Há também questionamentos sobre a possível existência de articulações nos bastidores com nomes influentes da política nacional, especialmente em relação a operações realizadas antes da quebra das instituições.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

Deixe um comentário