A rotina exaustiva de quem depende de balsa no interior do Acre

O videomaker do ac24horas, Kennedy Santos, esteve na região do Juruá para acompanhar a rotina de moradores que dependem da balsa para a travessia entre Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves. No local, ele ouviu relatos de quem afirma esperar há anos pela construção da ponte sobre o Rio Juruá.

Atualmente, cerca de 35 permissionários operam pequenas balsas na região, responsáveis pelo transporte de veículos, motocicletas e pedestres.

O morador Elizeu Araújo comentou sobre o tempo de espera para atravessar. “É em base de uns 20, 25 minutos, porque o movimento está fraco”, relatou. Segundo apurado na reportagem, em períodos de maior fluxo, o tempo de ida e volta pode chegar a uma hora e meia.

Outro morador, identificado como Jhon, destacou os custos da travessia. “Utilizo a balsa de manhã e à tarde para fazer curso e faculdade. É muito gasto, porque nem todo dia a balsa está funcionando”, afirmou.

Além da travessia, moradores também enfrentam dificuldades no acesso terrestre. No local, há uma máquina do Deracre que permanece de prontidão para emergências. Em períodos de chuva, o trecho se torna quase intrafegável, exigindo intervenções para garantir a passagem de veículos leves e pesados.

Rosa Alencar também criticou a situação. “A questão é a humilhação. Quando o rio seca, enche ou vaza, a gente sofre. Tem carro que quebra, moto que bate o motor. É um sofrimento”, disse.

Morador de Rodrigues Alves, Ralf Fernandes é um dos articuladores do Movimento Social Pró-Ponte, que luta há 17 anos pela construção da estrutura. Segundo ele, a pauta vai além da ponte e envolve a integração regional.

“O Movimento Social Pró-Ponte este ano completa 17 anos. Temos diretoria e representatividade de todos os segmentos sociais da região do Juruá. A luta pela integração e pelo desenvolvimento começa pela construção da ponte sobre o Rio Juruá, mas também inclui a abertura de estrada definitiva para Porto Walter e Marechal Thaumaturgo. É integrar a região via terrestre”, explicou.

Ele destacou ainda que o movimento é suprapartidário. “Tem pessoas ligadas a partidos e pessoas sem partido. O que nos une é o bem coletivo, o direito de ir e vir a partir da construção da nossa ponte”, completou.

O professor Hudsom Chaves classificou a situação como o maior entrave ao desenvolvimento local. “Isso aqui é um castigo. Seguramente, é o maior problema da nossa cidade. Travanca o desenvolvimento social e econômico. É uma penitência que esse povo carrega nas costas”, afirmou.

Já o morador Marcos Antônio defendeu maior compromisso político com a obra. “A gente precisava de políticos bons, porque todo político que entra promete, mas nenhum faz a nossa ponte tão sonhada”, declarou

Fonte: Conteúdo republicado de ac24horas

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