
O prefeito de Cavalcante (GO), Vilmar Souza Costa (PSB), conhecido como Vilmar Kalunga, reagiu neste domingo (22/3) à reportagem do Metrópoles que revelou que o imóvel onde funciona a sede de uma empresa contratada pela prefeitura — com contratos que somam quase R$ 1 milhão — fica em um endereço dele próprio e que, segundo ele, corresponde à sua residência.
A empresa Savana Agrobio Ltda. é citada em dois contratos celebrados pela prefeitura, que, juntos, somam R$ 936.986,99 e envolvem fornecimento de kits para microfábricas de bioinsumos, além de serviços de capacitação, assistência rural e operação de unidades móveis no território quilombola Kalunga.
Segundo Vilmar, há uma perseguição na cidade por parte de antigos políticos, que buscam prejudicá-lo.
“Existe em Cavalcante sim uma perseguição política, isso é de conhecimento de todos, principalmente depois das eleições. Cavalcante é uma cidade que nunca teve reeleição em 193 anos. Eu sou um prefeito que vem da zona rural, que vem da base, de um trabalho sério. E como a gente tem um trabalho reconhecido não só estadualmente, regional, mas nacionalmente, […] querem me desmoralizar”, declarou ele em vídeo publicado nas redes sociais.
Em seguida, Vilmar complementou dizendo que a perseguição é feita por “politiqueiros velhos, que não têm projeto político para a população” e que, segundo ele, já mostram que “não têm competência de trabalhar uma política séria, mas sim denegrir a imagem de uma pessoa que trabalha em prol da comunidade que precisa”.
Durante a manifestação, porém, o prefeito não negou e nem explicou a relação entre a sede da Savana Agrobio e o endereço de sua residência.
Procurado pelo Metrópoles, o prefeito havia afirmado que não conhecia a empresa e que o endereço registrado no CNPJ corresponde ao de sua casa. Segundo ele, o irmão mantém uma loja no mesmo lote. A reportagem apurou que o estabelecimento, chamado “Casa da Roça”, não funciona há anos, segundo moradores.
Questionado sobre a contratação da Savana pela prefeitura, Vilmar Kalunga disse não ter conhecimento do caso e afirmou que encaminharia o assunto aos secretários de Gestão, Danilo Antônio Ferreira, e de Agricultura, João Filho Souza Costa, para apuração.
Os contratos com a Savana são fiscalizados pelo secretário municipal de Agricultura, João Filho Souza Costa, que é irmão do prefeito.
Único concorrente nos pregões
Como mostrou o Metrópoles, o primeiro acordo, firmado em 14 de outubro de 2025, no valor de R$ 653 mil, prevê capacitação técnica e operação assistida de unidades móveis de beneficiamento de farinha, óleo vegetal, arroz e baru, além de serviços de assistência técnica e extensão rural.
Ambos os contratos resultam de pregões públicos, modalidade em que empresas disputam por meio de lances e vence a proposta de menor preço que atenda aos critérios técnicos. Nos dois casos, porém, apenas uma empresa apresentou proposta: a própria Savana Agrobio Ltda.
Em 30 de dezembro, pouco mais de dois meses após as assinaturas, a prefeitura firmou termos aditivos que prorrogaram os contratos até 31 de dezembro de 2026. As prorrogações tiveram como testemunha Henrique dos Santos Rosa, sócio da empresa e filho do vereador Salviano Santos (União Brasil), aliado do prefeito, e da ex-secretária de Educação Wanderleia dos Santos Rosa.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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