
O CEO e sócio do grupo Fictor, Rafael Góis, tentou comprar o Banco Master antes de a instituição ser liquidada pelo Banco Central (BC). A negociação ocorreu no dia anterior à operação que atingiu a instituição financeira de Daniel Vorcaro.
Góis e Luiz Rubini, que foi sócio da Fictor, estão entre os alvos de mandados de busca e apreensão da Operação Fallax, desencadeada nesta quarta-feira (25/3) pela Polícia Federal (PF), com apoio da Polícia Militar de São Paulo. A operação busca desarticular um esquema de fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal e outros bancos, e crimes de estelionato e lavagem de dinheiro que podem chegar a R$ 500 milhões.
Além de mandados de busca e apreensão, outros 21 de prisão são cumpridos na operação. Até o início da manhã desta quarta, 13 pessoas já haviam sido presas.
No último dia 1º de fevereiro, o Grupo Fictor protocolou, no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), um pedido de recuperação judicial. A holding detém uma dívida de, aproximadamente, R$ 4 bilhões.
Em nota, a empresa afirmou que o pedido de recuperação judicial “foi consequência da crise de liquidez momentânea originada a partir de 18 de novembro do ano passado, quando o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master”.
Segundo a Fictor, um consórcio liderado por ela iria adquirir o Master. A instituição que pede a recuperação judicial se diz vítima da ação do Banco Central no Master.
“A reputação do grupo foi atingida por especulações de mercado, que geraram um grande volume de notícias negativas, atingindo duramente a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding”, diz trecho do comunicado distribuído à imprensa.
Tentativa de compra do Master
O anúncio de compra do Master foi feito pelo Grupo Fictor em 17 de novembro de 2025. A aquisição seria realizada pelo valor de R$ 3 bilhões. As negociações entre os dois grupos tiveram início depois do Banco Central barrar o Banco de Brasília (BRB) de adquirir o Banco Master.
Um dia após o anúncio, no entanto, em 18 de novembro, o Banco Central decretou a liquidação do banco de Daniel Vorcaro. A Polícia Federal (PF) deflagrou ainda a Operação Compliance Zero, que prendeu o banqueiro e outros integrantes da cúpula da instituição financeira.
O Grupo Fictor
A Fictor Holding Financeira é um grupo que reúne participações e investimentos em três principais divisões da economia brasileira: alimento, energia e serviços financeiros. A .
Em 2025, o grupo emprestou mais de R$ 1 bilhão em créditos consignados e fez seu nome no mercado ostentando capilaridade em serviços financeiros. Um braço do conglomerado, a Fictor Alimentos, entrou na bolsa de valores e já faturou R$ 100 milhões por mês. A Fictor Holding também ficou conhecida por ser a principal patrocinadora do Palmeiras.
Uma das principais empresas do grupo é a Fictor Agro, voltada para o setor do agronegócio. Conforme o Metrópoles revelou, em maio de 2025, na coluna do Tácio Lorran, a companhia usou expediente conhecido como sociedades em conta de participação (SCPs) para captar recursos de investidores.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) chegou a abrir um processo de investigação e determinou que a Fictor descontinuasse a prática, deixando de anunciar o produto no site da empresa. A compra do Master teria como um dos objetos resolver a questão.
O plano de recuperação
No comunicado sobre o pedido de recuperação judicial, o Grupo Fictor afirma que pretende realizar a quitação dos débitos, na ordem de R$ 4 bilhões, sem nenhum deságio.
“No pedido de recuperação judicial, foi solicitada tutela de urgência para suspender execuções e bloqueios por um período inicial de 180 dias, reduzindo o risco de corridas individuais que pressionem ainda mais a liquidez e prejudiquem uma solução coletiva e equânime”, diz trecho do comunicado do Fictor.
A Fictor esclarece ainda que o pedido de recuperação judicial não inclui as subsidiárias, que, segundo a instituição, são viáveis economicamente e “devem seguir com suas rotinas, seus contratos e seus projetos”.
O Master
O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em 18 de novembro. O BC alegou haver fraude na venda de carteiras de créditos. Desde então, os credores elegíveis tiveram de acionar o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para requisitar as garantias – que, somadas, chegam a R$ 40,9 bilhões.
O Tribunal de Contas da União (TCU) chegou a interferir no processo e indicou a possibilidade de reversão da liquidação extrajudicial; no entanto, após repercussão negativa, a Corte recuou.
Na esfera judicial, o caso Master tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro Dias Toffoli.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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