
O casal que morreu após cair do 9º andar de um prédio em Aracaju, Sergipe, na noite dessa terça-feira (24/3), passava por graves problemas de saúde mental. Ao Metrópoles, o advogado Ricard Cezar, que representava Washington Luís da Silva Matos, 55 anos, e Ane Jaqueline Costa Santos Matos, 44, disse que os dois tinham depressão e passavam por episódios de “alucinações” provocados pelo uso excessivo de remédios “tarja preta” e álcool.
A tragédia aconteceu durante uma briga no apartamento. A Secretaria de Segurança Pública de Sergipe (SSP-SE) informou que o homem teria agredido a mulher e, em seguida, se jogado pela janela do apartamento. A polícia não informou se Ane Jaqueline se jogou ou foi atirada pela janela.
Os primeiros levantamentos da polícia apontam que o homem tinha histórico de alcoolismo e que havia contra ele denúncia de violência doméstica desde 2021.
Eles estavam juntos há 20 anos e não tinham filhos em comum. Segundo advogado, o casal tinha “mania de perseguição”, principalmente em relação aos vizinhos.
Durante a briga, três moradores do prédio tentaram entrar no imóvel para separar, mas foram atingidos por golpes de faca e deixaram o local para buscar socorro médico.
Uma mulher foi atingida por golpes de faca nas costas e encaminhada por uma equipe do Samu para atendimento médico, com quadro estável. Um homem também ficou ferido, com lesões na cabeça, axila e dedo. Outra pessoa teve ferimento leve em um dos dedos.
Brigas e problemas financeiros
O advogado Ricard Cezar contou que o casal sempre teve uma relação conturbada, mas que piorou, nos últimos, anos devido a problemas financeiros.
Juntos, eles tinham uma empresa de distribuição de medicamentos hospitalares, mas que faliu. O fato de fazerem parte do ramo farmacêutico também facilitava o acesso de Washington e Ane Jaqueline aos remédios de uso controlado.
A família tentou interná-los em diversas ocasiões, mas eles não aceitavam porque não queriam ficar separados.
“Ela tem histórico de depressão e ele histórico do uso de álcool, além da automedicação dos dois. Eles eram do ramo farmacêutico e isso facilitava. Isso tudo afetou severamente a saúde mental de ambos”, disse o advogado.
Ricard Cezar conhecia o casal há 7 anos. Ele foi contratado inicialmente para cuidar de um problema que Washington teve na Justiça após ser pego na Lei Seca.
Nesse mesmo ano, o casal iniciou um processo de separação. Ane Jaqueline foi a Delegacia da Mulher após ser agredida pelo marido. Eles haviam discutido depois de beberam demais.
Ela desistiu do processo pela Lei Maria da Penha e também do divórcio. A ação se encaminhou por meio do Ministério Público, mas chegou a ser concluída.
“Eles tinham alucinações com episódios de perseguição. Achavam o tempo todo que os vizinhos queriam entrar no apartamento deles. Estavam tendo essas visões por conta desses problemas psicológicos agravados pelos remédios”, disse Cezar.
Washington vivia em Aracaju, mas era da cidade de Antas (BA). Ele deixa dois filhos e será sepultado em Coronel João Sá (BA). Ane Jaqueline era de Itabaiana (SE). Ainda não há informações sobre o enterro dela.
Investigação
As circunstâncias que levaram à queda do casal ainda não foram esclarecidas. A polícia não informou se o homem jogou a mulher pela janela ou se ela caiu.
Equipes das polícias Civil e Militar estiveram no local, realizando os primeiros levantamentos. Imagens de câmeras de segurança do condomínio e do interior do imóvel devem ajudar na elucidação do caso.
A Polícia Civil de Sergipe apreendeu celulares, a arma branca usada contra os vizinhos e equipamentos de informática, que serão periciados.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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