Política e religião
Quando se mistura política com religião nunca acaba bem, pois passa a imperar a vilania.
Tenho o maior respeito às religiões, independentemente de suas crenças; afinal de contas, é a fé que remove montanhas. Lamentavelmente, no nosso país, figuras como o pastor Silas Malafaia, cinicamente, chegam a dizer que, quando falam, o fazem em nome de Jesus. Quanta vileza!
Exceto o Vaticano, governado por um teocrata, único em todo o mundo, poucos países do mundo são governados estritamente baseados em leis religiosas, a exemplo do que acontece no Irã, no Afeganistão e no Sudão. A propósito, o Irã, o mais teocrata e radical de todos, sempre que sai de uma guerra já começa a se preparar para entrar na seguinte.
Presentemente, e em razão da presença do sanguinário Benjamin Netanyahu enquanto primeiro-ministro de Israel e do devidamente apoiado presidente dos EUA, Donald Trump, já transformaram a Cisjordânia e a Faixa de Gaza num verdadeiro inferno. Como assim, se o Oriente Médio é o berço das nossas principais religiões: o cristianismo, o judaísmo e o islamismo?
A propósito, o lema “Deus, Pátria e Família”, seja no presente quanto no passado, em nosso país, vem sendo explorado pelo bolsonarismo. Este lema, no nosso país, foi criado no ano de 1932 por Plínio Salgado, na tentativa de criar um movimento de inspiração fascista.
Em Portugal, a nossa pátria-mãe, ao tempo da ditadura de Salazar, a mais longeva da Europa, o lema “Deus, Pátria e Família” também foi utilizado como pilar do seu regime e somente veio a ser encerrado graças à Revolução dos Cravos, ocorrida no ano de 1974, desta feita pondo fim aos seus 48 anos de autoritarismo e de arbítrio.
Nada mais explosivo que a mistura entre política e religião, embora seja esta a mistura que vem ameaçando a nossa democracia. Se o próprio pastor Silas Malafaia vem se aproveitando da sua religiosidade para arrecadar os seus milionários dízimos, é uma coisa; outra coisa é a salvação das almas daqueles que são enganados com as suas falaciosas pregações.
O atual e mais audacioso bandido da nossa atualidade, Daniel Vorcaro, vem de uma família considerada altamente religiosa, mas, na realidade, nenhuma outra organização criminosa do nosso país foi capaz de produzir tantos crimes quanto a organização que ele próprio comandava. Seus vínculos religiosos foram herdados do seu pai e do seu avô, o pastor Serafim Vorcaro, da Igreja Batista da Lagoinha, uma das mais frequentadas de Belo
Horizonte. Sua irmã, Natália Vorcaro, também atua como pastora de uma das filiais da referida igreja.
Enquanto cristão, não posso acreditar que o meu Jesus seja o mesmo que é pregado por alguns padres e pastores que, em nome de suas religiosidades, priorizam o dinheiro como profissão de fé.
Fonte: Conteúdo republicado de ac24horas


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