Frente Única de Sindicatos dos Servidores Públicos do Estado do Acre realizou, nesta quinta-feira (26), uma coletiva de imprensa, em Rio Branco, para apresentar a contraproposta unificada das entidades em resposta à oferta feita pelo governo estadual durante reunião na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), na terça-feira (24).
O documento foi lido pelo representante do Sindicato dos Policiais Civis (SINPOL), Rafael Diniz, e pelo representante do Sindicato dos Especialistas Executivos do Estado do Acre (SINDEEX), Fábio Macedo, porta-vozes da Frente no evento.
Na reunião do dia 24 de março, a equipe de negociação do governo, composta pela Segov, Casa Civil, Sead Seplan e Sefaz, apresentou, de forma verbal, sem entrega de documento formal, as seguintes medidas: majoração do auxílio-alimentação para R$ 700, representando acréscimo de R$ 280 para quem recebe R$ 420 e de R$ 200 para quem recebe R$ 500; criação do auxílio-alimentação para policiais militares e bombeiros no valor de R$ 700; descongelamento da progressão de servidores sem concurso; e instituição de auxílio-saúde para inativos civis e militares no valor de R$ 500.
Após análise dos dados apresentados pela Sead, a Frente definiu sua contraproposta oficial. As entidades propõem a manutenção do auxílio-alimentação nos valores atuais, entre R$ 420 e R$ 500, sem alteração, e a criação de um auxílio-saúde unificado no valor de R$ 900 para todos os servidores ativos e inativos, civis e militares, das entidades signatárias.
“A nossa contraproposta é pensando em você aposentado, esse valor de R$ 500, majorar, aumentar para R$ 900, que você que é aposentado sabe que R$ 500 para quem compra remédio não supera a necessidade”, disse Rafael Diniz durante a coletiva.
A Frente Única foi constituída em maio de 2025 e representa, segundo seus dirigentes, aproximadamente 30 mil servidores civis e militares do Poder Executivo Estadual. Desde a criação, o movimento defende três eixos, revisão geral anual de 20,39%, correspondente ao resíduo inflacionário acumulado entre 2019 e 2025; majoração do auxílio-alimentação para R$ 1.000; e instituição de auxílio-saúde de R$ 1.000 para ativos, pensionistas e inativos.
Fábio Macedo citou o superávit financeiro do Estado em 2025, estimado em mais de R$ 600 milhões, para fundamentar a viabilidade da proposta. “Entendemos que a proposta de R$ 900 para o auxílio-saúde é factível, visto o superávit financeiro e, em especial, o ano de 2025, em mais de R$ 600 milhões de reais o Estado teve de superávit de caixa”, afirmou.
Macedo também comparou os repasses do governo estadual a outros poderes com os recursos destinados ao Executivo. Segundo ele, enquanto o Estado destina R$ 120 milhões aos 24 deputados estaduais, os aproximadamente 52 mil servidores do Executivo também merecem atenção. “Para eu atender isso aqui que nós recebemos do Estado, eu tenho que atender 52.198 servidores com R$ 90 milhões de reais, mas o Estado pode dar R$ 120 milhões de reais aos 24 deputados do Estado”, disse.
O representante ainda apontou que alguns servidores com décadas de serviço recebem abaixo do salário mínimo, recebendo complementação de apenas R$ 99,83 para atingir o piso de R$ 1.620. “Nós temos servidores que ganham R$ 1.521,17. Isso é dignidade que esse governo está querendo oferecer?”, questionou.
Sobre a proposta governamental de descongelamento de progressões, Macedo afirmou que a medida não afeta servidores admitidos até 1986, por já estarem no topo da tabela de carreira. Para os demais, a estimativa da Frente é de acréscimo entre R$ 150 e R$ 200 mensais.
Os representantes reiteraram que o movimento não tem vinculação político-partidária. “Que não nos associem a partido político ou a candidato A, B ou C, que isso fique bem claro”, disse Fábio Macedo.
Ao fim da coletiva, os representantes da Frente Única se dirigiram à Assembleia Legislativa para protocolar formalmente a contraproposta. O documento também será encaminhado aos secretários de Estado.
A Frente informou que o governo sinalizou enviar o projeto à Aleac na segunda-feira. Os representantes convocaram os servidores a acompanhar a sessão na terça-feira (31) na Assembleia Legislativa.
Jornalista e social media, com atuação em marketing, assessoria de comunicação política e institucional. Atualmente escreve para o ac24horas, fazendo cobertura regional do estado do Acre.
Fonte: Conteúdo republicado de ac24horas

Deixe um comentário