Guarda morta por PRF: corporação não afastou agente após importunação sexual

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Imagem colorida de Dayse Barbosa e o o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza - Metrópoles

Documentos exclusivos obtidos pelo Metrópoles revelam que a Polícia Rodoviária Federal no Rio de Janeiro (PRF-RJ) decidiu manter em serviço e o porte de arma do agente Diego Oliveira de Souza ao negar o afastamento preventivo dele, mesmo após denúncias de importunação sexual contra uma colega de trabalho.

Diego assassinou a ex-namorada, a comandante da guarda municipal de Vitória, Dayse Barbosa, 37 anos e depois se suicidou, no Espírito Santo. Ele usou uma arma da própria PRF.

O feminicídio ocorreu na madrugada de segunda-feira (23/3) em Vitória (ES). O policial rodoviário federal invadiu a casa da ex-namorada e disparou cinco vezes na cabeça de Dayse enquanto ela dormia, e se matou após o crime.

O Metrópoles teve acesso às decisões que dizem à respeito ao Processo Administrativo Disciplinar (PAD) por importunação sexual, que Diego respondia. Em 3 de setembro do ano passado, foi instaurada a investigação interna na corporação.

Segundo a PRF no Rio de Janeiro, a PAD tinha como objetivo “apurar possíveis infrações praticadas por servidores no exercício das atribuições do cargo ou que com este estejam relacionadas, referentes aos atos e fatos que constam nos autos do supramencionado procedimento administrativo disciplinar, bem como proceder ao exame de outros fatos, ações e omissões”.

As “possíveis infrações” que a PRF menciona diz respeito às denúncias contra o agente Diego, que teria importunado sexualmente uma servidora da PRF, então colega de trabalho. O Ministério da Justiça e da Segurança Pública deu prazo de 60 dias para a PRF-RJ definer se haveria afastamento preventivo de Diego.

Durante o processo administrativo, a vítima que sofreu importunação relatou insegurança ao continuar exercendo o serviço no mesmo local de trabalho de Diego.

Segundo a servidora da PRF, foram dias de “terror” e “medo” no trabalho após fazer a denúncia contra o agente, pois temia ser assassinada, uma vez que alegava que ele não tinha controle emocional.

Negativa de afastamento manteve PRF nas ruas

Em 7 de novembro do ano passado, a Corregedoria da PRF-RJ se manifestou por não afastar Diego de forma preventiva, além de mantê-lo em serviço e com porte de arma, sem determinar restrições, como monitoramento do agente ou suspensão temporária do porte de arma.

A Superintendência da corporação no Rio de Janeiro acolheu a decisão, mas pediu que a chefia dele na Delegacia da PRF de Niterói adotasse medidas preventivas, “visando salvaguardar a integridade psicofísica da vítima e evitar a revitimização e o constrangimento psicológico da servidora”, segundo o documento.

Na tentativa de se distanciar e se isolar dele, a mulher pediu para ser instrutora e “dar aula” na universidade corporativa da PRF.

Após a negativa, a servidora se demitiu da corporação, e Diego continuou exercendo o trabalho nas ruas e com porte de arma — o armamento foi usado para assassinar Dayse Barbosa.

Questionada sobre o caso, logo após o feminicídio da comandante, a PRF explicou que o processo começou em setembro e estava na fase final. Sobre a arma, informou que não havia base legal para retirar no curso do processo sem um resultado.

Após as novas informações, o Metrópoles procurou a PRF e o espaço segue aberto para manifestações.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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