
Uma cápsula de césio-137 escondida na parede de um apartamento causou uma sequência de mortes silenciosas na cidade de Kramatorsk, na Ucrânia, entre 1980 e 1989. O material radioativo permaneceu ativo por anos sem que os moradores soubessem da exposição.
O caso lembra o acidente retratado na série Emergência Radioativa, da Netflix. A produção retoma o desastre com césio-137 em Goiânia, em 1987, quando cerca de 250 pessoas foram contaminadas. Enquanto o episódio brasileiro ganhou repercussão mundial, na Ucrânia uma família era exposta à mesma substância sem qualquer alerta.
No apartamento, a cápsula ficou presa no concreto da parede após, possivelmente, se desprender de um equipamento industrial e contaminar o cimento de construção, segundo estudo publicado em 2005 pelo Centro Científico e Técnico de Exportação e Importação de Tecnologias da Ucrânia. O uso desse tipo de radiação era comum em dispositivos de monitoramento industriais.

A situação se agravou porque uma cama de criança ficava ao lado da parede contaminada. Ao longo dos anos, duas famílias foram afetadas. Na primeira, mãe e dois filhos morreram de leucemia. Na segunda, o filho mais velho morreu em 1987, e o mais novo ficou gravemente doente.
A origem do problema só foi descoberta após nove anos, quando moradores solicitarem a medição da radiação. Parte da parede foi removida e levada ao Instituto de Pesquisa Nuclear da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia, onde a cápsula foi retirada com segurança.
Após o caso, o país reforçou o controle sobre fontes radioativas e ampliou o monitoramento de materiais da construção civil. Também passaram a ser feitas inspeções em edifícios antes da liberação para uso, para evitar novos episódios semelhantes.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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