De novo, elas

De novo, elas

Por Narciso Mendes27 de março de 2026 – 05h00 3 min de leitura

As emendas parlamentares aos nossos orçamentos públicos já nos trouxeram os piores resultados. 

Um: a roubalheira dos nossos recursos públicos; e outro: a imoralidade do nosso sistema politico partidário. Neste particular, as emendas parlamentares aos nossos orçamentos públicos (uma atribuição reservada aos nossos prefeitos, aos nossos governadores e, por último, ao presidente da nossa República) foram tomadas de assalto e de forma aparentemente legal, porém absolutamente imoral. Prova disto é que as mesmas já foram transformadas na principal moeda que alimenta o nosso mercado eleitoral.

Quando um prefeito, um governador ou o próprio presidente se elegem dizendo em suas campanhas eleitorais que iriam priorizar a nossa saúde pública, a nossa educação pública e a nossa segurança pública, e veem se impedidos de resgatar as suas promessas porque os recursos foram desviados para dar lugar aos interesses particulares dos integrantes de seus correspondentes parlamentos (e, o mais grave, para alimentar a nossa corrupção), nada pior.

Aos nossos parlamentares compete aprovar as propostas orçamentárias que carecem de sua aprovação, inclusive não aprovando aquelas proposições que não são do interesse público. Até aí, nada contra.

Presentemente, apenas no nível federal, os nossos deputados federais e senadores dispõem, anualmente, de no mínimo R$ 50 milhões e, no decurso dos seus mandatos, R$ 200 milhões para comprarem as suas reeleições. Portanto, estamos a tratar de um jogo de cartas marcadas.

Mas, como seria de se esperar, eis que surgiu do STF (Supremo Tribunal Federal), ou seja, do ministro Flávio Dino, a mais dura reação contra as tais emendas. E não seria para menos; afinal de contas, quase uma centena dos nossos congressistas encontra se atolada até o gogó na roubalheira que as tais emendas lhes proporcionaram.

Outra coisa: não é sério o que está acontecendo com os nossos partidos políticos. Reporto me à tal janela partidária, a excrescência que legalizou a qualquer candidato, detentor ou não de um mandato eletivo, trocar de partido político no próprio ano das eleições.

No nosso país, infelizmente, ao invés de os nossos partidos políticos se darem ao respeito e serem transformados em escolas para o bom aprendizado político, simplesmente foram transformados em legendas para acomodarem os interesses da grande maioria dos candidatos que buscam a obtenção de um mandato eletivo.

A exemplificar: nos arranjos partidários feitos às últimas horas, Fernando Collor de Mello e Jair Bolsonaro conseguiram chegar à Presidência da nossa República filiados, respectivamente, ao PRN e ao PSL, cujos corpos jazem em alguns dos cemitérios para onde foram levados. Os outrora tucanos já estão procurando o cemitério onde o PSDB será enterrado.

Fonte: Conteúdo republicado de ac24horas

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