
O governador Ibaneis Rocha (MDB) negou ter determinado a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). A operação de aquisição de 58% do capital foi rejeitada pelo Banco Central, que determinou a liquidação do Master em novembro de 2025.
Em entrevista exclusiva ao Metrópoles, nesta sexta-feira (27/3), Ibaneis declarou que “nunca tinha ouvido falar o nome de Daniel Vorcaro e Banco Master na história”. Afirmou que esteve na casa de Vorcaro para um almoço, na ocasião em que falaram sobre “avião e vinhos”.
“Eu passei a ter esse conhecimento a partir da apresentação que foi feita. Como eu disse, eu fui convidado por ele para um almoço na casa dele. Eu achei natural. Eu recebo todos os empresários. Na ocasião, ninguém tratou sobre o banco. Ficamos falando sobre avião, ficamos falando sobre vinhos. Eu estava acompanhado da Juliana, do Willian Guimarães, que é sócio do nosso escritório, se eu não me engano, também do meu filho“, contou Ibaneis sobre o encontro na mansão de Vorcaro, em Brasília.
“Eu comecei a tomar conhecimento de que existiria essa operação em andamento relacionada à compra do Master pelo BRB. Quis entender como era essa operação e fui convencido pelo Paulo Henrique [ex-presidente do BRB] de que seria uma operação que faria o BRB se transformar no sexto maior banco do Brasil, sem necessidade de aporte financeiro do Governo do Distrito Federal”, declarou.
Ibaneis disse também que não detém conhecimento do sistema financeiro ou bancário e que não sabe nem “passar Pix”. “As contas minhas quem acompanha são meu filho e minha ex-esposa. Eu sou meio analógico ainda. Eu não tinha capacidade técnica de avaliar se aquela operação era ou não correta. Eu tinha que acreditar no meu principal interlocutor naquele momento, que era o Paulo Henrique“, afirmou.
Questionado se sabia que o BRB comprou R$ 16 bilhões em carteiras de crédito suspeitas de serem falsas do Master, Ibaneis negou. “Eu só vim a descobrir realmente o que é que estava sendo feito, mesmo sem ter notícia dos valores, quando começou a dar problema, aí eu comecei a ser procurado“, contou.
O governador disse que soube dos negócios próximo da liquidação do Master, que ocorreu em novembro de 2025. “Eu até fiz uma ligação para o Paulo. Estava terminando um curso em Harvard e eu liguei para ele e falei: você tem que abandonar isso aí ele procura resolver o problema, senão isso aqui vai se avolumar um ponto que não vai ter mais retorno. Infelizmente ele não nos ouviu. Também já estava em andamento a operação policial. Agora eu digo o seguinte para vocês: continuo confiando no Paulo. Ele tem como explicar tudo que ele fez lá dentro”, declarou.
Em 18 de novembro, Paulo Henrique foi afastado do cargo de presidente do BRB por determinação judicial, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero. Naquela ocasião, Vorcaro foi preso pela primeira vez.
Em depoimento à PF, em dezembro de 2025, Costa afirmou que, quando o BRB identificou “atipicidade de padrão documental” nas carteiras da Tirreno repassadas pelo Master ao BRB, apontadas na investigação como falsas, “foi bastante diligente, bastante efetivo na substituição”. “Nós conseguimos ativos de qualidade, aplicamos deságios relevantes de maneira a proteger o BRB”, enfatizou.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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