
A Páscoa de 2026 deve pesar mais no bolso do consumidor, segundo especialistas. A alta do preço do chocolate, puxada pelo encarecimento do cacau no mercado internacional, já pressiona a inflação e impacta os produtos típicos da data.
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA -15), divulgado na última quinta-feira (26/3), revelou uma alta de 24,9% nos preços dos chocolates entre abril do ano passado e março deste ano, refletindo o avanço dos custos na cadeia produtiva.
O principal fator por trás do movimento é a queda na oferta global de cacau. Problemas climáticos e doenças em lavouras de países africanos, como Costa do Marfim e Gana, responsáveis por grande parte da produção mundial, reduziram as safras e elevaram os preços da commodity.
Para o professor da Strong Business School, o economista Sandro Maskio, o mundo vive um choque de oferta no mercado global de cacau, que se transmite diretamente para o preço final do chocolate. Ele alerta que não é um aumento pontual, mas um movimento estrutural.
Entenda o que levou os preços do cacau às alturas
Com o custo mais alto, o impacto já aparece nas prateleiras. Levantamentos apontam que o preço do chocolate pode variar de R$ 176 a R$ 799 por quilo, a depender do tipo de produto, marca e presença de brindes.
A expectativa é de mudança no comportamento do consumidor. “Com o chocolate mais caro, o consumidor tende a migrar para produtos mais simples ou substituir o ovo por outras opções”, diz Maskio.
Ele reforça que mesmo com alguma acomodação recente nos preços internacionais, o alívio não deve chegar a tempo desta Páscoa, já que a produção foi planejada com antecedência, em um cenário de custos mais elevados e os produtos já estão nas gondolas e nas casas das famílias.
Indústria de chocolates
A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab) avalia que a alta de preços ainda reflete o déficit de cerca de 700 mil toneladas de cacau no mercado global.
De acordo com a entidade, a cotação da tonelada de cacau saiu de cerca de US$ 2.500 em 2022 para um pico de US$ 12 mil durante a crise. Mais recentemente, os preços passaram a oscilar entre US$ 5.000 e US$ 5.500, o equivalente a aproximadamente R$ 25,9 mil a R$ 28,5 mil, patamar ainda considerado elevado pelo setor.
A associação afirma que a indústria acompanha diariamente as variações do mercado e conta com estoques reguladores para enfrentar oscilações. Destaca ainda que a definição de preços varia de acordo com a estratégia de cada empresa.
Para a Páscoa deste ano, a expectativa da entidade é positiva, com base no cenário de estabilidade econômica e no nível mais baixo de desemprego da série histórica.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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