
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) definiu o estado de São Paulo, maior colégio eleitoral do país, como prioridade na busca pela reeleição do petista e já tem trabalhado no levantamento de dados e informações para abastecer a artilharia contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Enquanto o período eleitoral oficial não começa, o PT tem mobilizado equipes jurídicas para levantar temas que possam gerar desgaste ao chefe do Palácio dos Bandeirantes, que vai coordenar a campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em São Paulo, enquanto tentará se reeleger no estado. As últimas pesquisas têm mostrado empate técnico entre Lula e Flávio no segundo turno.
Entre os assuntos que serão explorados pelos petistas está o escândalo envolvendo o Banco Master, que tem gerado desgaste ao governo Lula. A ordem é enfatizar as conexões de Daniel Vorcaro com o bolsonarismo, como as doações de R$ 5 milhões que Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro do banqueiro, fez para as campanhas de Tarcísio e de Jair Bolsonaro (PL), em 2022.
“Eles ficam tentando nos associar ao Banco Master. Está totalmente no colo deles, do Tarcísio e do Bolsonaro, não no nosso. Então, isso vai ser dito e ele [Tarcísio] vai ter que responder”, disse um deputado do PT envolvido na estratégia da campanha em São Paulo.
Nas últimas semanas, Lula anunciou Fernando Haddad (PT) como o candidato ao governo paulista, além de encaminhar a candidatura de Simone Tebet (PSB) ao Senado. Outro “nome de peso” do governo Lula escalado para atuar na campanha em São Paulo é Geraldo Alckmin – seja como vice na chapa presidencial ou como candidato ao Senado.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, também é cotada para compor a chapa. Todos já foram candidato à Presidência em eleições anteriores. O cálculo é que um bom desempenho no maior colégio eleitoral do país é crucial para a vitória nacional. Em 2022, Bolsonaro venceu Lula em São Paulo por 55,2% a 44,8%, embora tenha perdido a eleição.
Em eventos recentes, Lula e membros do governo centraram ataques a Tarcísio, acusando o governador de esconder a participação do governo federal em obras e investimentos no estado. Em agenda no interior paulista, o presidente disse que Tarcísio precisa “falar a verdade“. No dia seguinte, Tarcísio reagiu, dizendo que já está “acostumado a ouvir bobagens dele [Lula]”.
A principal linha da campanha de Lula e Haddad em São Paulo será apresentar o que eles classificam como “investimento recorde” do governo federal no estado e afirmar que as principais obras da gestão Tarcísio foram viabilizadas graças à ajuda do governo Lula.
Enquanto o governador paulista é alvo constante de críticas de Lula, seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), quase não é mencionado pelo presidente.
Pontos de ataque
Uma das questões que será levantada pela campanha petista é a privatização da Sabesp, realizada no governo Tarcísio. O partido questiona a desestatização da companhia no Supremo Tribunal Federal (STF) e, mesmo que não tenha sucesso na Corte, pretende explorar pontos que considera frágeis no processo, como o preço pelo qual a estatal foi vendida, apontado por alguns como abaixo do valor de mercado.
No último dia 18/3, Tarcísio chegou a viajar até Brasília para tratar do tema com ministros do STF às vésperas do início do julgamento da ação.
Outro flanco de ataques do PT será a questão financeira e orçamentária do Estado na gestão Tarcísio. O governo fechou os anos de 2023 e 2025 com déficit nas contas, sendo que 2024 fechou no azul por conta da venda da Sabesp, segundo apontou o Tribunal de Contas do Estado (TCE).
O Metrópoles mostrou que a gestão Tarcísio viu encolher quase pela metade o caixa livre, que não tem destinação obrigatória, enquanto prepara novos empréstimos para tocar projetos que são vitrines eleitorais.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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